Ações europeias marcam maior nível em mais de duas semanas com impulso de balanços

Bolsas da Europa fecham na máxima em mais de duas semanas

Entretenimento

O mercado acionário europeu encerrou as negociações desta quinta-feira em seu nível mais alto em mais de duas semanas. A recuperação foi puxada pela divulgação de balanços corporativos favoráveis e pela forte demanda por papéis do setor de saúde, que funcionaram como refúgio para investidores internacionais em um momento de desaquecimento do entusiasmo com inteligência artificial (IA).

O índice pan-europeu STOXX 600 chegou a registrar valorização de 0,38% durante o pregão, atingindo 640,16 pontos — melhor resultado intradiário desde 30 de setembro —, fechando o dia com ganhos de 0,33%, aos 639,85 pontos. O mercado aposta que o desempenho operacional das empresas ajude a romper a estabilidade na qual o índice permaneceu confinado no último mês.

Destaques positivos e retração em tecnologia

Entre as empresas em destaque, a fabricante sueca de infraestrutura de telecomunicações Ericsson disparou 6,8%, assumindo a liderança de valorização do STOXX 600 após reportar dados do terceiro trimestre acima das expectativas do mercado. Esse movimento acompanhou o fortalecimento das companhias de saúde, cujo índice avançou 2,4% e também figurou entre os líderes de alta.

Na ponta oposta, o setor de tecnologia recuou 1,5% e puxou as perdas do dia, pressionado pela queda acentuada de 13% da fornecedora alemã de sistemas de semicondutores Aixtron. O segmento de chips operou em baixa generalizada: a Soitec despencou 7,7%, a Infineon caiu 5,2% e a ASML perdeu 4,2%.

A aversão ao risco no setor tecnológico mundial decorre da divulgação recente de indicadores alarmantes de inflação nos Estados Unidos, que reativaram os temores de novas elevações de juros pelo Federal Reserve. O aperto monetário atinge diretamente companhias com alto endividamento voltado à expansão de projetos de IA.

Pressão sobre matérias-primas e cenário macroeconômico

A fabricante de embalagens e papel Mondi teve baixa de 7,9% depois de justificar o reajuste nos preços de diversas linhas de produtos no terceiro trimestre para conter despesas energéticas e de insumos. No segmento de mineração, que encolheu 0,8% pressionado pela desvalorização do cobre, as ações da Antofagasta caíram 4,1%. A mineradora revelou produção de 436.900 toneladas do metal no acumulado do ano, número 8,3% inferior ao verificado no mesmo intervalo de 2025.

No cenário macroeconômico, a inflação harmonizada ao consumidor da França registrou avanço anual de 3,4% em setembro, confirmando os dados prévios divulgados no fim do mês anterior. Diante das pressões inflacionárias ligadas à energia, os mercados precificam em 87% a probabilidade de o Banco Central Europeu elevar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro, de acordo com informações da LSEG, dando sequência a dois ajustes já realizados neste ano.

Fechamento dos principais índices europeus:

– Londres (Financial Times): +1,08%, a 10.840,35 pontos – Frankfurt (DAX): +0,27%, a 25.368,04 pontos – Paris (CAC-40): +0,78%, a 7.934,70 pontos – Milão (Ftse/Mib): -0,72%, a 49.397,55 pontos – Madri (Ibex-35): -0,28%, a 19.177,70 pontos – Lisboa (PSI20): -0,44%, a 9.373,82 pontos

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