Depois de passar mais de um mês preso e resistir a duas operações de salvamento frustradas, um tubarão que se transformou em atração turística na Coreia do Sul conseguiu retornar ao oceano nesta quarta-feira (21). A repatriação ao habitat natural foi confirmada pelo Ministério dos Oceanos do país asiático.
O exemplar de 3,5 metros foi visto inicialmente em um canal situado no Porto Norte de Busan em 18 de setembro. De acordo com a administração municipal, o local recebeu a visita de mais de 1,6 milhão de pessoas até 20 de outubro na tentativa de observar o animal marinho.
A fêmea pertence à espécie tubarão-cobre (Carcharhinus brachyurus) e recebeu o apelido de “Bukangi”, uma junção inspirada em “Buk Hang”, denominação coreana para o Porto Norte de Busan. Trata-se de uma espécie típica de zonas tropicais, subtropicais e temperadas, que atualmente figura na lista de ameaçadas de extinção elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
A influenciadora digital Lee Min-jeung, 39, vinda de Seul, relatou ter viajado a Busan em quatro ocasiões diferentes para contemplar o animal. “Estou aliviada porque parece que ele voltou ao mar”, disse Lee. “Adeus. Não fique doente.”
Alerta climático e avistamentos
A presença do animal na região acendeu um alerta a respeito das alterações nas características das águas sul-coreanas. Conforme especialistas, o aquecimento dos oceanos surge como um provável motivo para a alta na frequência de aparições de tubarões de grande porte no litoral local.
Dados do Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras da Coreia do Sul mostram que o primeiro semestre deste ano contabilizou 46 avistamentos de grandes tubarões na costa leste do território nacional, um salto expressivo em comparação aos 12 registros obtidos no mesmo intervalo do ano anterior.
O resgate bem-sucedido
A necessidade de libertar Bukangi era urgente, visto que não havia registros de que o animal estivesse se alimentando. Além disso, a prefeitura destacou que a transição para o outono no Hemisfério Norte traria uma queda nas temperaturas capaz de prejudicar a saúde do tubarão, que também apresentava pequenos machucados no focinho e na nadadeira, conforme a imprensa local.
As tentativas anteriores de guiar o animal para fora daquela área haviam ocorrido nos dias 29 de setembro e 2 de outubro, sem sucesso.
Desta vez, a estratégia envolveu mergulhadores e uma rede acoplada a estruturas flutuantes para vencer as variações de profundidade do canal. O equipamento foi avançando de maneira gradual em direção ao mar aberto, bloqueando qualquer tentativa do tubarão de retornar ao canal.
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