Azul e Latam esperam crescimento mais lento devido à pressão de custos com combustível – veja os detalhes

Azul e Latam preveem avanço lento devido ao preço do QAV

Turismo

As companhias aéreas Azul e Latam preveem dificuldades de crescimento por conta dos altos preços do combustível de aviação (QAV). O custo em torno do insumo tem sido fortemente impactado pela guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro e ainda sem uma luz no fim do túnel.

Azul fala em recuperação tardia por impactos do QAV Em um evento do setor no México, o diretor financeiro da Azul, Antonio Carlos Garcia, afirmou à agência de notícias Reuters que a recuperação da empresa deve demorar mais do que o esperado. A companhia espera terminar o ano com capacidade cerca de 5% menor em relação a 2025, o que já estava previsto antes do impacto dos preços do QAV.

“Vemos uma recuperação em um estágio mais tardio do que antes”, ‌afirmou Garcia. Ele também disse que o cronograma pode atrasar em um ano ou mais se os preços do combustível permanecerem elevados.

A redução de capacidade da Azul no segundo trimestre passou de 10% em comparação a 2025, justamente por conta da alta nos combustíveis. A companhia espera registrar um crescimento tímido a partir do quarto trimestre.

Segundo o executivo, a companhia conseguiu repassar de 60% a 65% dos reajustes no ‌preço do QAV aos passageiros por meio do aumento nas tarifas aéreas.

Vale lembrar que a Azul esteve em uma recuperação judicial (Chapter 11, na denominação dos Estados Unidos, onde o processo aconteceu) de maio de 2025 a fevereiro deste ano, de forma a equilibrar as contas depois de atingir altos níveis de endividamento.

Garcia disse que a aérea está se aproximando de um fluxo de caixa operacional positivo, que a geração de caixa ainda está prejudicada por pagamentos ligados à reestruturação financeira, tanto anteriores quanto posteriores ao processo.

Enquanto isso, a companhia está retomando algumas frequências e rotas que estavam suspensas desde antes da recuperação judicial, e trazendo de volta aviões que estavam fora de operação. A Azul, contudo, já saiu do Chapter 11 com uma postura bem mais conservadora em termos de crescimento.

O executivo também afirmou que a companhia está se apoiando cada vez mais em ​setores de seu negócio, ​além do transporte de passageiros. Isso inclui o programa de fidelidade, serviços de viagem, operações de carga e manutenção.

Latam prevê crescimento mais lento de capacidade O CEO do Grupo Latam, Roberto Alvo, afirmou à Bloomberg News que os custos com energia podem permanecer elevados mesmo que as tensões no Oriente Médio diminuam. Esse cenário levaria a um crescimento mais lento da capacidade da companhia aérea.

O chefe da companhia aérea afirmou que o mercado ainda enfrenta restrições de refino e busca uma solução duradoura para o conflito. A Latam havia previsto o preço do combustível de aviação a US$ 147 por barril para o terceiro trimestre e US$ 130 para o quarto trimestre. Os números, contudo, estão bem abaixo dos cerca de US$ 190 a que está sendo negociado atualmente.

A Latam, inclusive, reduziu em maio sua projeção relacionada ao principal indicador de lucratividade. Segundo Alvo, a demanda tem se mantido resiliente, apesar de tarifas mais altas. “Os viajantes podem estar trocando de carro ou de televisão com menos frequência” para priorizar viagens e experiências, afirmou.

A estratégia da Latam em torno dos passageiros com maior poder de compra ajuda a amortecer o impacto da redução na ocupação das aeronaves, uma vez que a queda se concentra entre os viajantes mais sensíveis aos preços. Alvo afirmou que a companhia aérea está disposta a tolerar um número menor de passageiros em troca de uma receita geral mais elevada.

A companhia tem enfrentado ocupações mais baixas em suas aeronaves desde abril. No terceiro trimestre, por exemplo, o fator de ocupação caiu para 83,7%, 1,7 pontos percentuais abaixo do registrado no ano anterior.

Gol vai cortar ao menos 40 rotas em 2027 As declarações dos representantes de Azul e Latam acontecem em um momento em que o setor já estava com o sinal amarelo ligado: a Gol se prepara para cortar pelo menos 40 rotas a partir de fevereiro do próximo ano. A companhia aérea já confirmou as reduções, e as atribui aos preços elevados do combustível de aviação.

Os serviços afetados são tanto domésticos quanto internacionais, em um corte que é o mais expressivo desde o início dos problemas do setor com os preços do QAV. Até o momento, a Azul e a Latam não deram indícios de reduções expressivas em suas malhas aéreas em 2027 pelo impacto do insumo na operação.

Como o preço do combustível está afetando o setor aéreo? Alguns números ajudam a embasar a preocupação do setor aéreo com o combustível. Se geralmente o QAV representava em torno de 30% do total de custos na operação antes da guerra, agora chega ou passa de 40%, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam conjuntamente.

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o QAV fechou o mês de agosto a R$ 4,98 o litro. Em março, custava R$ 3,64, e chegou a R$ 6,45 no pior momento, em maio.

O Grupo Abra, do qual a Gol e a Avianca fazem parte, reportou no segundo trimestre deste ano um custo com combustível de US$ 984 milhões, uma alta de 80% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 546 milhões.

A Azul, por sua vez, registrou gastos de R$ 1,9 bilhão com o QAV no segundo trimestre, alta de 41,2% sobre o mesmo período do ano passado. O Grupo Latam, com dados que representam a operação em Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Equador, chegou à marca de US$ 1,7 bilhão em custos com combustível de abril a junho deste ano, acréscimo de 93% sobre 2025.

É importante lembrar que Azul, Gol e Latam já vinham fazendo ajustes pontuais nas operações, com cancelamentos de alguns voos nos últimos meses, para enfrentar a crise provocada pelo aumento no preço do QAV.

Quem paga o preço desse cenário negativo é o passageiro. O preço médio dos bilhetes aéreos já avançou em 2026 e, embora as companhias aéreas não enxerguem um impacto importante na demanda por viagens, é fato que muitas pessoas podem acabar repensando a compra de uma passagem.

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