Inaugurado em agosto de 2014 como uma aposta da gestão do então prefeito Fernando Haddad (PT) para incentivar o uso de bicicletas, o bicicletário público do largo da Batata, situado em Pinheiros, na zona oeste paulistana, vive um momento de incerteza quanto à sua permanência após doze anos de atividades.
Documentos acessados revelam que a Tembici comunicou formalmente à prefeitura em 26 de outubro que não vai renovar o acordo de cooperação. Com isso, a operação será encerrada no dia 31 de dezembro. O Itaú atuou como apoiador por vários anos, mas a instituição financeira deixou de ter ligação com o local em 2024, conforme informou a empresa responsável.
Sustentabilidade e vandalismo
Em nota, a Tembici justificou que o encerramento do acordo “decorre de uma avaliação das condições necessárias para manter o serviço com a qualidade e o cuidado que os usuários precisam”. A companhia também destacou que mantém diálogo constante com a administração municipal em busca de melhorias na região.
No ofício enviado à gestão de Ricardo Nunes (MDB), a operadora apontou que a decisão foi tomada devido a “desafios relacionados à sustentabilidade operacional e financeira do bicicletário”. A empresa enfatizou especialmente a ocorrência de casos de vandalismo, fatores que geraram despesas extras de manutenção e prejudicaram a continuidade do projeto. Por fim, a organização declarou estar disponível para um processo de desmobilização organizado, transparente e alinhado entre os envolvidos.
Desde a abertura, a gestão, a manutenção e a operação ficaram sob responsabilidade da empresa, embora o pacto inicial tenha sido assinado pelo Itaú. O funcionamento exige a presença de um funcionário fixo para realizar o cadastro, controlar o acesso, guardar e devolver as bicicletas. A estrutura tem capacidade para abrigar 102 unidades. Em 2020, o custo mensal estimado do serviço era de R$ 21.727, de acordo com contratos da época, que apontavam frequentadores de diversos bairros da capital e de cidades da região metropolitana.
Estrutura e histórico na capital
O local funciona em uma instalação de metal e vidro, oferecendo armazenamento gratuito para magrelas mediante cadastro prévio. O espaço serve de apoio para o transporte de “última milha”, complementando viagens longas feitas por trens, metrôs e ônibus.
Na época do lançamento, a administração municipal divulgou que o equipamento provocou um aumento de 37% no tráfego de ciclistas na avenida Faria Lima. A instalação aconteceu após mobilização popular liderada pelo grupo CicloLiga, que reuniu um abaixo-assinado com pelo menos 22.019 assinaturas.
Atualmente, a ciclovia da Faria Lima é famosa pelo intenso fluxo de bicicletas e outros veículos de duas rodas. O bicicletário surgiu em 2014 integrado a um plano da prefeitura para expandir a malha cicloviária.
Outros espaços com propostas parecidas foram abertos depois, como nos bairros do Paraíso (zona sul) e na praça dos Arcos (próximo à avenida Paulista), mas ambos acabaram encerrados em 2019, durante a gestão de Bruno Covas (PSDB). Além disso, a administração de Ricardo Nunes enfrentou críticas há dois anos ao remover um contêiner do Bike Anjo do largo da Batata, que oferecia aulas gratuitas de ciclismo para adultos.
Procurada, a subprefeitura Pinheiros informou por meio de nota que analisa as providências exigidas para assegurar a continuidade do atendimento. A pasta acrescentou que as melhorias obtidas por meio do convênio serão incorporadas ao patrimônio público e que uma vistoria técnica ocorrerá após a devolução do espaço.
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