O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, ordenou o envio de tropas especiais ao Haiti depois que quatro soldados salvadorenhos, integrantes de uma missão apoiada pela ONU, desapareceram em uma emboscada de uma organização criminosa, informaram as autoridades.
Um contingente salvadorenho chegou na quinta-feira (22) para apoiar as operações de busca na região de Plaine du Cul-de-Sac, nos arredores de Porto Príncipe, informou na rede social X a Força de Repressão às Gangues (GSF, na sigla em inglês), missão autorizada pelas Nações Unidas para apoiar o Haiti.
“A GSF mantém suas operações na região em estreita coordenação com a Polícia Nacional do Haiti e outros parceiros operacionais”, afirmou, pedindo aos moradores que se mantenham afastados da área.
Os quatro soldados salvadorenhos desapareceram no domingo (18), quando grupos armados atacaram o veículo blindado em que retornavam à base, vindos de um mercado nos arredores da capital, disse na segunda-feira ao Conselho de Segurança o representante dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz.
Os agressores dispararam centenas de projéteis e usaram explosivos contra o veículo, afirmou Waltz, acrescentando que as autoridades acreditam que os quatro militares sobreviveram.
Em uma mensagem publicada na quarta-feira (21) no X, Bukele insistiu que os soldados não eram combatentes, mas técnicos aeronáuticos “cujo principal trabalho é realizar evacuações médicas e salvar vidas, não fazer guerra”.
Bukele ameaçou acabar com as gangues haitianas caso elas não libertem os quatro militares salvadorenhos.
“Não encarem nossas palavras como ameaças vazias. Já acabamos com as gangues em El Salvador e também podemos acabar com as de vocês”, advertiu em sua mensagem, escrita em crioulo haitiano.
O Haiti, país mais pobre das Américas, atravessa há anos uma profunda crise, mas a situação piorou recentemente devido ao aumento de assassinatos, sequestros, estupros e recrutamento de menores por grupos armados.
No início deste mês, as autoridades haitianas adiaram por tempo indeterminado as eleições previstas para dezembro. O país não realiza eleições desde 2016 e, após o assassinato de seu último presidente, em 2021, ainda não elegeu um sucessor.
A GSF avança lentamente em seu apoio à polícia haitiana, sobrecarregada pela violência. A missão pretende chegar a 5.500 integrantes, mas, até o momento, conta com apenas 2.000 membros enviados por seis países.
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