A União Europeia e o Canadá oficializaram nesta sexta-feira (30) uma nova parceria estratégica para estreitar laços diante das medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltadas para o rompimento de vínculos com antigos aliados comerciais. O anúncio foi consolidado após uma cúpula de dois dias realizada em Montreal, abrangendo desde o financiamento de minerais críticos até projetos avançados em inteligência artificial.
Como parte do entendimento, o governo canadense integrará um pacote de empréstimo de apoio de 90 bilhões de euros (R$ 558,4 bilhões) destinado à Ucrânia. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, esteve reunido na cidade canadense com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para sacramentar o pacto.
“O mundo está se tornando mais perigoso e dividido. Nossas sociedades estão sendo abaladas por novas turbulências”, afirmou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em entrevista coletiva. Ele mencionou o enfraquecimento das normas democráticas e a “transformação do comércio em arma”.
“Juntos, Canadá e União Europeia estão firmando as bases. Estamos estabelecendo um terreno comum para defender nossos valores e, ao mesmo tempo, formando uma cobertura protetora sob a qual nossos cidadãos possam prosperar”, disse Carney, após reuniões com os dirigentes da UE Ursula von der Leyen e Antonio Costa.
Ambos os parceiros já mantêm um acordo de livre-comércio e intensificaram a aproximação desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, visto que sofreram impactos diretos de tarifas comerciais e pressões geopolíticas vindas de Washington. Antes dos encontros, Von der Leyen pontuou que, embora a geografia impeça o Canadá de integrar formalmente o bloco europeu, a intenção é aproximá-lo “o máximo possível”.
Cooperação financeira e tecnológica
A contribuição inicial do Canadá para o pacote financeiro voltado a Kiev será de 500 milhões de euros (R$ 3,03 bilhões), integrando o montante global de 90 bilhões de euros (R$ 546,2 bilhões) mobilizados pela UE para cobrir rombos orçamentários na Ucrânia.
“Isso envia uma mensagem poderosa à Ucrânia. Juntos, estamos ampliando nosso apoio ao país”, afirmou Von der Лейen.
Para o futuro, a aliança prevê a criação de um espaço de segurança econômica e prosperidade mútua. Os governos assinaram acordos de comércio digital e pactos que habilitam o Banco Europeu de Investimento a injetar recursos em projetos canadenses voltados para minerais essenciais.
O Canadá detém vastas jazidas de terras raras — recursos atualmente importados majoritariamente da China pela Europa —, mas necessita de grandes aportes em infraestrutura para alavancar sua capacidade de mineração. Em contrapartida, o território europeu abriu sua rede de supercomputadores para atender pesquisadores e empresas do Canadá.
Inovação, satélites e educação
Os aliados também alinharam estratégias para intensificar a cooperação em conectividade, navegação via satélite e inteligência artificial, setores nos quais buscam reduzir a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos e à China.
Na véspera do anúncio, Ottawa confirmou um aporte de 1,6 bilhão de dólares canadenses (R$ 5,98 bilhões) na empresa de inteligência artificial Cohere. A companhia possui uma parceria recente com a alemã Aleph Alpha, modelo destacado por Carney como exemplo do potencial conjunto entre os dois mercados.
Por fim, as partes abriram conversas para incluir o Canadá em programas europeus tradicionais, a exemplo do intercâmbio universitário Erasmus e do sistema de satélites Galileo, concebido como uma alternativa europeia ao GPS norte-americano.
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