Com uma postura serena e fala contida, Rafa Câmara aparentava ponderar cada declaração durante sua primeira coletiva de imprensa no autódromo de Interlagos como piloto de F1, na última quinta-feira (5). No entanto, o comportamento reservado logo abria espaço para sorrisos quando Gabriel Bortoleto e Franco Colapinto apareciam com brincadeiras capazes de descontrair o estreante.
Aos 21 anos, o jovem busca equilibrar serenidade e entusiasmo diante da chance oferecida pela Haas. Contratado pela escuderia norte-americana para o próximo campeonato, o brasileiro teve a oportunidade adiantada após assumir o posto de Esteban Ocon, que deixará a organização antes do encerramento da temporada em razão de um atrito com membros do time.
“Eu nunca esperaria fazer minha primeira corrida na F1 aqui no Brasil. Estou muito animado para começar este fim de semana e ver como será”, disse o pernambucano.
Trajetória histórica e aprendizado
Sendo o primeiro nordestino a ingressar na F1 e o 34º brasileiro na elite do automobilismo mundial, o competidor ainda se adapta ao ritmo rigoroso exigido agora. Para este final de semana, seu principal foco é acumular aprendizados que sirvam de base para as etapas restantes e, principalmente, para a temporada completa que disputará em 2027.
“É realmente tentar aprender o máximo que puder neste fim de semana. Obviamente, será a primeira vez no carro. Há muitas coisas para entender e passar por todo o processo. Então, acho que é realmente tentar aproveitar e tirar o máximo proveito da situação”, disse Rafa.
Ainda não está definido se ele participará também das provas em Las Vegas, no Qatar e em Abu Dhabi. Como lidera a Fórmula 2, o atleta definirá junto à equipe se abdicará da luta pelo caneco ou se tentará conciliar as duas competições. No momento, o foco total está voltado para o desafio deste domingo (8). “Não quero criar muitas expectativas.”
Conselho de amigo e clima descontraído
Sentado ao lado do estreante na coletiva, o também brasileiro Gabriel Bortoleto compartilhou orientações com o colega, com quem mantém amizade desde os oito anos de idade. Ambos construíram parte de sua trajetória nas categorias inferiores e agora integram simultaneamente o grid principal.
“Ele [Rafa] vai entrar direto no Grande Prêmio de São Paulo. Não é uma tarefa fácil. Sabe, é muita atenção, muitas expectativas sobre os ombros dele. Mas, do lado dele, sabe, ele nunca pilotou esse carro, então só precisa aproveitar e se divertir ao máximo. Mas tenho certeza de que ele vai se sair bem”, disse Bortoleto.
O competidor da Audi, contudo, riu ao ser rotulado como veterano. “Você sabe quantos anos eu tenho? Hoje alguém me chamou de veterano”, declarou. Logo depois, ponderou que ele próprio segue em fase de aprendizado e que a melhor dica para o amigo era desfrutar da vivência.
Bortoleto também celebrou a presença de outro representante do país no grid, situação que não ocorria desde 2016, quando Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber) competiram na categoria. “É bom ter outro brasileiro, alguém com quem posso conversar sobre as coisas e que também vai entender minhas palavras na F1”, afirmou.
A presença sul-americana no evento foi reforçada pela participação do argentino Franco Colapinto, da Alpine. Demonstrando bastante sintonia com os brasileiros, o piloto questionou se Rafa já havia sido incluído no grupo de mensagens dos competidores da F1. “Você deveria estar no grupo. Ainda não foi adicionado?”, perguntou o argentino.
Diante da negativa com a cabeça feita por Rafa, o piloto da Alpine ironizou: “Não se preocupe, você não está perdendo muita coisa”.
A leveza trazida pelos dois colegas contrastava com o perfil mais cauteloso de Rafa, que ainda processa a magnitude de sua ascensão à categoria máxima. Sem confirmação sobre as provas finais do ano, o brasileiro prefere concentrar suas energias no desafio em solo nacional. “Só quero terminar o fim de semana feliz comigo mesmo”, afirmou.
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