Enquanto a população brasileira passa, em média, 116 horas semanais navegando na internet, menos da metade dos cidadãos mantém o costume de ler. Trata-se do pior índice registrado desde 2007 pelo levantamento Retratos da Leitura no Brasil. Em um cenário repleto de vídeos rápidos, notificações constantes e entretenimento sob demanda, desacelerar para folhear páginas tornou-se um desafio, ainda que a atividade seja fundamental para ampliar o vocabulário, estimular a imaginação, desenvolver a empatia e diminuir os índices de estresse.
Pequenos passos e disciplina na rotina
Para incluir as histórias no cotidiano sem gerar sobrecarga, a consistência é mais importante do que o volume. Estabelecer um horário fixo no dia — como logo após o expediente ou momentos antes de dormir — e manter o smartphone distante facilitam a concentração. Uma dedicação inicial de apenas dez minutos por dia já cria tração. Quem lê cerca de 20 páginas diárias consegue terminar uma obra menor em duas semanas ou um volume mais encorpado ao fim de um mês.
Outro ponto essencial é saber a hora de parar: caso uma obra não desperte interesse após as primeiras páginas, não hesite em abandoná-la. Insistir em enredos maçantes costuma travar o ritmo e afastar o prazer da leitura.
Facilite o acesso e comece por livros curtos
Substituir a rolagem infinita das redes sociais em transportes públicos, filas ou pausas de almoço exige ter um livro sempre à mão. Carregar edições menores ou leitores digitais na mochila viabiliza momentos produtivos de leitura que seriam perdidos diante da tela.
Para quem busca recuperar o ritmo após um longo período de pausa, o mais recomendado é fugir de grandes clássicos volumosos ou narrativas excessivamente truncadas. Optar por histórias envolventes e publicações finas proporciona a sensação rápida de dever cumprido, servindo de combustível para a próxima escolha.
Formatos sonoros e pontes com o audiovisual
O universo literário não precisa ficar restrito ao papel. O mercado de audiolivros oferece alternativas dinâmicas para quem passa muito tempo no trânsito ou executando tarefas domésticas. Plataformas como Audible contam com mais de 165 mil títulos, incluindo dramatizações de clássicos como “1984”, de George Orwell, com vozes de Lázaro Ramos e Alice Carvalho, e “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, interpretado por Rodrigo Simas e Julia Dalavia.
Outros serviços como Supersônica, Storytel, Skeelo, Tocalivros e Ubook ampliam esse ecossistema — com narrações de Isabel Teixeira para textos da nobelista Annie Ernaux ou a psiquiatra Natalia Timerman gravando as próprias publicações. Paralelamente, filmes e séries que adaptam obras literárias funcionam como excelentes portas de entrada para explorar o catálogo de autores já conhecidos.
Inspiração em comunidades e criadores literários
A própria internet pode atuar a favor da formação de leitores por meio de criadores de conteúdo especializados. O projeto Bookster pelo Mundo, encabeçado pelo advogado Pedro Pacífico com a TAG Livros, entrega seleções de autores de locais como Coreia do Sul, Austrália, Honduras e Tanzânia.
Grupos de discussão e debates periódicos também fortalecem o compromisso de leitura, a exemplo do Clube de Cultura promovido pelos apresentadores Alessandra Orofino, Bruno Torturra e Gregório Duvivier, do podcast Calma Urgente. Há ainda páginas voltadas a nichos temáticos, como o perfil de Vinícius Barbosa (@latinaleitura), com produções focadas na identidade da América Latina, e o trabalho das irmãs Pétala e Isa Souza (@afrofuturas), focado em narrativas antirracistas, futuristas e decoloniais.
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