A explosão da inteligência artificial está provocando um movimento surpreendente no mercado de tecnologia: a volta em massa do uso de fitas magnéticas para a guarda de arquivos. Diante desse cenário, a Fujifilm decidiu ampliar em cinco vezes a sua capacidade de fabricação desse tipo de mídia para suprir as necessidades de data centers voltados à IA.
A corporação nipônica revelou um aporte de 10 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 64 milhões, na planta industrial situada em Kanagawa, na cidade de Odawara. Trata-se do maior investimento realizado pela companhia nessa tecnologia específica ao longo dos últimos vinte anos.
Alternativa econômica para dados frios
O planejamento estratégico da organização compreende o intervalo fiscal entre 2026 e 2028, sendo uma reação imediata ao fluxo massivo de informações produzido durante o treinamento e a inferência de sistemas de inteligência artificial. Com o desabastecimento global elevando os preços de unidades SSD e HDDs voltadas para o mercado corporativo a patamares inacessíveis, servidores em nuvem e grandes estruturas de processamento passaram a enxergar as fitas magnéticas como uma opção atraente para o chamado armazenamento de “dados frios”, informações indispensáveis que precisam de preservação segura a longo prazo, mas raramente necessitam de acesso imediato.
Apesar de remeter a décadas passadas, o suporte por meio magnético traz benefícios financeiros e ecológicos marcantes para grandes estruturas. A despesa para reter informações por terabyte utilizando fitas magnéticas atinge apenas um quarto do preço cobrado por discos rígidos convencionais, além de ficar muito abaixo do custo de SSDs corporativos avançados. Somado à economia financeira direta, o sistema demanda bem menos energia eletricidade quando está ocioso.
Novo padrão LTO-10 e expansão de mercado
O capital injetado pela Fujifilm será direcionado à ampliação e construção de mídias estruturadas no inédito padrão LTO-10. Os cartuchos desta geração trazem capacidade nativa de 40 TB, podendo atingir até 100 TB por cartucho por meio de compressão de dados. O ecossistema LTO já prevê evoluções para a norma LTO-11 em 2029 (com 70 TB nativos) e projeções que atingem até 365 TB brutos por fita nas gerações futuras.
A expansão da Fujifilm não se restringe a esse segmento, visto que a multinacional nipônica consolidou-se como a terceira maior produtora de câmeras globais, superando a concorrente Nikon.
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