A prática de utilizar sebo bovino na rotina de cuidados faciais ganhou forte repercussão entre usuários do TikTok, impulsionada por influenciadores que prometem hidratação profunda, viço e controle da acne. No entanto, a dermatologista Delila Foulad, da UCLA Health, faz um alerta direto em entrevista à rede americana NPR: como a gordura do boi é um óleo, ela pode obstruir os poros e piorar as espinhas.
A matéria-prima por trás dessa tendência é o sebo, obtido a partir da gordura animal derretida de forma lenta, que passa por processos de filtragem e resfriamento até adquirir uma consistência de pasta cerosa. Sociólogos associam essa febre à desconfiança em relação aos compostos sintéticos e à indústria cosmética tradicional, fazendo com que itens com apelo rústico e artesanal atraiam consumidores. Entre o público masculino, a substância ganhou espaço por unir o consumo de carne vermelha aos cuidados estéticos, embora o uso de gorduras animais no rosto remonte à Antiguidade, período em que eram aplicadas texturas de cabra, cisne e leão.
Riscos para a saúde cutânea A médica Delila Foulad ressalta que o sebo bovino consiste basicamente em lipídios. “Colocar isso na pele pode entupir os poros”, afirma, em reportagem da NPR sobre a tendência do sebo bovino no skincare. De acordo com a especialista, a aplicação da gordura na face traz os seguintes perigos:
– Piora da acne, porque a camada oleosa favorece cravos e espinhas inflamadas; – Dermatite de contato alérgica, que a médica descreve como uma alergia de pele; – Agravamento de eczema e psoríase, doenças em que a barreira cutânea já está fragilizada.
O efeito visual de pele viçosa ocorre devido à alta concentração de lipídios, que geram uma película capaz de reter a umidade e diminuir a evaporação de água. Contudo, alternativas como o azeite de oliva e a manteiga de karité desempenham o mesmo papel, mas sem o aroma forte e a densidade elevada.
Em contrapartida, hidratantes formulados em laboratório contam com umectantes como ácido hialurônico e glicerina, substâncias capazes de atrair e reter água na região. A gordura pura não possui essa propriedade, tampouco conta com antioxidantes para prevenir a oxidação, o que faz com que o produto possa rançar com o calor, exigindo armazenamento sob refrigeração.
Cuidados e testes prévios Para quem deseja testar a substância apesar das ressalvas, a recomendação é cautela. Foulad sugere realizar um teste de sensibilidade, visto que manifestações alérgicas costumam demorar para surgir. “Se você vai ter uma reação, ela geralmente não acontece de imediato”, diz. O procedimento indicado é:
– Aplique um pouco do creme atrás da orelha ou na parte interna do braço; – Repita a aplicação por cerca de duas semanas antes de usar no rosto; – Pare ao primeiro sinal de vermelhidão, coceira ou bolinhas; – Compre potes pequenos e mantenha o produto refrigerado.
Apesar de nem todas as pessoas desenvolverem reações adversas, o apelo de produto natural não assegura a segurança da fórmula, especialmente para peles sensíveis, oleosas ou com tendência à acne. Antes de substituir os dermocosméticos tradicionais por gordura animal, especialistas recomendam a avaliação médica para identificar o tipo de pele ideal e definir o uso adequado de séruns, cremes e protetores solares.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
