O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) consolidou-se como o principal cotado para liderar a pasta da Segurança Pública na hipótese de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. O avanço da candidatura do parlamentar do PL abriu espaço para os primeiros esboços de divisão da Esplanada dos Ministérios entre membros de sua própria legenda e de partidos que compõem sua base.
Visto pelo círculo mais próximo do presidenciável como uma figura marcada pela fidelidade e alinhamento político, Derrite conta ainda com a simpatia da federação formada por União Brasil e PP. Os dois partidos, que foram os primeiros a formalizar aliança com Flávio no segundo turno da corrida eleitoral, reúnem juntos 87 cadeiras na Câmara dos Deputados, compondo a terceira maior bancada da Casa — um fator considerado essencial para garantir sustentação política ao Executivo.
A promessa de estruturar um ministério exclusivo para a área já havia sido externada por Flávio em março, em gravação compartilhada ao lado do próprio senador eleito. Derrite também atuou ativamente na elaboração das diretrizes de segurança da plataforma bolsonarista. Apesar do favoritismo, interlocutores apontam que não houve um convite formal até o momento, e o parlamentar declarou publicamente que seu engajamento na campanha não está condicionado ao comando de nenhum cargo ministerial.
Histórico político e atuação linha-dura
Antes de alcançar uma vaga no Senado, Derrite cumpriu dois mandatos na Câmara dos Deputados (eleito em 2018 e 2022) e esteve à frente da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo durante a administração de Tarcísio de Freitas, de janeiro de 2023 a dezembro de 2025. Esse período foi marcado por debates em torno da letalidade policial e de investigações contra agentes suspeitos de colaboração com a facção criminosa PCC.
A proximidade com Flávio Bolsonaro se intensificou em 2024, quando Derrite atuou como relator da matéria que pôs fim às “saidinhas” de reeducandos em datas comemorativas, texto que os dois ajudaram a redigir e que foi transformado em lei. Ex-tenente da Rota e capitão da reserva da Polícia Militar de São Paulo, ele defende estratégias rigorosas no combate ao crime e já se retratou no passado por declarações antigas vazadas em áudio.
Outro nome avaliado para a pasta, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), possui boa reputação perante as corporações policiais e é reconhecido pelos indicadores do setor em Goiás, além de ter manifestado voto em Flávio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, o político goiano enfrenta forte resistência da ala ideológica bolsonarista devido aos atritos ocorridos em 2020, quando apoiou o isolamento social e a vacinação contra a Covid-19.
Planos para o setor penal e divergências de campanha
A segurança pública tornou-se um dos eixos centrais dos debates presidenciais. O programa de Flávio Bolsonaro foca em medidas repressivas e no recrudescimento da legislação: ele prevê a abertura de 500 mil vagas carcerárias — iniciativa que analistas apontam como conflitante com metas de ajuste econômico —, castração química para autores de crimes sexuais e o enquadramento de organizações criminosas e milícias na categoria de grupos narcoterroristas, visando o bloqueio financeiro e a repressão à lavagem de capitais.
O plano do candidato do PL também estabelece a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, com responsabilização mais severa a partir dos 14 anos para condutas hediondas, como tortura, estupro e homicídio. A implementação dessa alteração exige a promulgação de uma PEC pelo Congresso Nacional. Por outro lado, embora a questão não integre oficialmente o plano petista, o presidente Lula sinalizou recentemente apoio à redução penal para crimes hediondos.
Em relação ao armamento civil, Flávio afirmou em declaração recente que a “legítima defesa tem que voltar, né? Só quem tá armado é bandido”, sugerindo uma flexibilização das restrições atuais, embora não tenha detalhado se revogará os atos normativos do atual mandato que limitaram o comércio e a circulação de armas de fogo no país.
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