Um litígio judicial multibilionário estimado em meio bilhão de reais, travado entre a gigante Totvs e a antiga terceirizada Sogem, chamou a atenção de um fundo de investimento da Algarve Capital, que conta com a co-gestão do Itaú Asset. No centro dessa operação estão os direitos econômicos da Sogem — que foram adquiridos pela EvidJuri, um escritório especializado em perícias judiciais —, com pagamento condicionado a um eventual êxito da companhia no processo. A coluna não obteve informações sobre o valor do investimento.
O montante potencial de R$ 500 milhões reflete a quantia atualizada da causa estimada pela Sogem, somando juros, encargos e correção monetária. Vale ressaltar que a quantia inicial do processo é de R$ 69 milhões. Portanto, a cifra não representa uma condenação definitiva ou um crédito já reconhecido pela Justiça.
Entenda o conflito
Inativa no mercado atual, a Sogem funcionava como representante comercial da RM Sistemas na região de Campinas, no interior paulista, comercializando sistemas de gestão empresarial. No ano de 2007, a RM Sistemas acabou sendo comprada pela Totvs por R$ 206 milhões.
De acordo com os argumentos apresentados pela Sogem no processo, logo após a compra, a Totvs teria modificado de forma unilateral o formato de negócios, paralisado repasses referentes a vendas e concentrado a carteira de clientes daquela área, gerando prejuízos financeiros à representante.
Andamento na Justiça
A EvidJuri, responsável pela compra dos direitos do litígio, atua na elaboração de laudos técnicos, análises probatórias e auditorias para processos judiciais. Vários desses trabalhos já foram determinantes para alterar os rumos de julgamentos, inclusive elevando valores de indenizações. O processo envolvendo a Totvs e a Sogem arrasta-se há cerca de 17 anos e atualmente tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Neste ano, a corte determinou a execução de uma perícia técnica para mensurar a indenização e identificar o responsável pela quebra do contrato entre as empresas.
A mecânica de remuneração para o aporte no processo une uma quantia inicial a uma fatia atrelada ao desfecho da ação. Além disso, a EvidJuri comercializa com investidores uma fração dos honorários que espera faturar, aplicando descontos proporcionais ao risco do caso e ao tempo estimado para a liquidação.
Conforme os dados divulgados pelo escritório de perícias, sua carteira de recebíveis engloba ações avaliadas em R$ 5,5 bilhões, além de honorários contratados potenciais que somam R$ 1,5 bilhão, ambos dependentes do desfecho dos processos. A companhia tem como meta estruturar R$ 100 bilhões em direitos litigiosos, abrangendo 100 mil processos, ao longo dos próximos anos.
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