Doença de Newcastle é detectada em fornecedor da MBRF e ameaça exportações brasileiras

Doença de Newcastle é confirmada e ameaça vendas externas

Mercados

A detecção de um caso da doença de Newcastle, uma grave doença avícola, anunciada nesta segunda-feira (19) no Brasil, um dos maiores exportadores mundiais, ocorreu em um fornecedor da MBRF, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg.

O surgimento da enfermidade, que compromete os sistemas respiratório, nervoso e digestivo das aves, foi constatado em um criador de perus que abastece exclusivamente a MBRF, conforme relataram fontes que preferiram o anonimato devido ao caráter sigiloso das informações. O fornecedor atende diretamente a planta da MBRF localizada no município catarinense de Chapecó, voltada ao processamento de carne de aves destinada ao mercado internacional.

Questionada sobre o caso, a empresa preferiu não se posicionar e declarou: “Como se trata de uma questão que afeta todo o setor, estamos encaminhando as perguntas sobre o assunto à Abpa (Associação Brasileira de Proteína Animal)”.

Impacto nas exportações A revelação traz riscos para as vendas externas de carne aviária do país, visto que grandes compradores internacionais já impuseram embargos em momentos anteriores após a confirmação de surtos semelhantes. Contudo, a extensão dos prejuízos dependerá das diretrizes adotadas por cada importador, que poderão vetar produtos de todo o território brasileiro ou restringir a proibição apenas a áreas afetadas. Caso ocorram barreiras por parte dos principais compradores, os frigoríficos têm a alternativa de redirecionar as cargas para mercados alternativos.

Em um episódio anterior registrado em 2024, o governo brasileiro precisou paralisar os embarques destinados à União Europeia e à China.

Ação das autoridades sanitárias O Ministério da Agricultura do Brasil confirmou nesta segunda que a doença viral e altamente contagiosa foi identificada em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no estado de Santa Catarina. A unidade foi interditada, e a movimentação de aves, suspensa. A ocorrência surge em um momento delicado, no qual o país se esforçava para restabelecer as exportações para o mercado europeu após cumprir novas exigências sanitárias ligadas a medicamentos veterinários.

Refletindo a apreensão do mercado, os papéis das companhias do setor de proteína animal registraram quedas. Os ativos da JBS recuaram 1% na Bolsa de Nova York, ao passo que as ações da MBRF sofreram baixa de 4,1% na B3, em São Paulo.

Em comunicado conjunto, a ABPA e as organizações catarinenses ACAV e Sindicarne asseguraram que o consumo da carne é totalmente seguro. “O Brasil conta com um sistema de saúde animal bem estabelecido, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a surtos dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle da doença previstas nas normas vigentes”, disseram.

Santa Catarina representa o segundo maior polo exportador de carne de frango do país, respondendo por aproximadamente 23% do volume total embarcado de janeiro a setembro deste ano. Como estratégia de contenção, o Ministério da Agricultura informou que manterá contato direto com órgãos sanitários estrangeiros e passará a monitorar cerca de 133 granjas situadas em Nova Itaberaba e em outras três cidades vizinhas.

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