Donald Trump reduzirá tarifas sobre produtos canadenses após pressão de republicanos

Donald Trump recua e vai cortar tarifas sobre produtos do Canadá

Mercados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai reduzir drasticamente as tarifas sobre uma série de produtos canadenses ligados à agricultura e ao setor florestal. A decisão ocorre após uma campanha conduzida por republicanos que enfrentam disputas acirradas nas eleições de meio de mandato.

As taxas de 50% sobre itens essenciais para o setor agrícola de estados americanos serão eliminadas, o que inclui diferentes tipos de maquinário, materiais de acondicionamento e embalagem e caixas plásticas. O objetivo é aliviar a pressão sobre economias estaduais estreitamente ligadas ao Canadá.

A medida surge no momento em que parlamentares republicanos envolvidos em disputas apertadas pelo Senado — inclusive no Maine, em Michigan e em New Hampshire — passaram a criticar as guerras comerciais do presidente, tentando se distanciar da crise mais ampla de custo de vida que ameaça suas chances eleitorais.

Repercussão política nos estados

A senadora Susan Collins, republicana em seu quinto mandato e lutando por sua sobrevivência política no Maine, afirmou que os produtos canadenses que terão alívio tarifário são “uma parte vital” da economia do estado.

“Muitos de nossos agricultores e produtores dependem de equipamentos especializados, materiais de embalagem e outros produtos do Canadá que não estão disponíveis por meio de fornecedores americanos ou não podem ser substituídos sem custos significativos”, disse ela em um comunicado que detalha o alívio tarifário.

Embora seja uma dos poucos parlamentares republicanos que criticaram publicamente as taxas de Trump — uma das principais bandeiras da política econômica do governo —, essas medidas tornaram-se um passivo político em sua região. Pesquisas mostram que os eleitores estão profundamente preocupados com a inflação e o custo de vida a menos de duas semanas do pleito.

Outros candidatos do partido adotaram postura semelhante. Mike Rogers, postulante ao Senado por Michigan, fez campanha contra as tarifas e veiculou anúncios em oposição às taxas sobre o vizinho do norte. Já em New Hampshire, o candidato John Sununu criticou repetidamente as guerras comerciais e afirmou que o Congresso deveria “retomar parte do poder”.

Novas taxas e contraponto canadense

Em um documento informativo divulgado na sexta-feira, a Casa Branca indicou que, em contrapartida, acrescentará tarifas a outros produtos canadenses, incluindo válvulas, carpetes e resíduos. As mudanças entram em vigor em 30 de outubro.

Para o setor canadense, contudo, a medida é insuficiente. Derek Nighbor, presidente da Associação de Produtos Florestais do Canadá, afirmou que retirar um número limitado de itens de uma lista de taxação não resolve o problema maior.

Ele disse: “Madeira serrada, móveis, armários de cozinha e outros produtos de madeira canadenses continuam presos em uma teia crescente de taxas e tarifas americanas que elevam os custos para os consumidores dos EUA e geram incerteza para empresas e trabalhadores dos dois lados da fronteira.”

“Estamos analisando as últimas inclusões para compreender todo o seu impacto, mas o problema mais amplo é claro: a economia integrada da América do Norte precisa de um comércio estável e baseado em regras, não de tarifas que mudam constantemente”, completou Nighbor.

Contexto da guerra comercial

O Canadá tornou-se alvo de Trump durante a guerra comercial global travada em seu segundo mandato, período em que o presidente frequentemente ameaçou impor taxas elevadas e criticou duramente a liderança em Ottawa.

Em julho, o governo americano anunciou que aplicaria novas tarifas de 50% sobre uma lista limitada de produtos devido ao que Washington classificou como práticas comerciais desleais, fundamentando a decisão na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 — dispositivo que nunca havia sido usado para taxar parceiros comerciais. Anteriormente, Trump já havia imposto tarifas de segurança nacional de 50% sobre aço e alumínio importados da maioria dos parceiros.

A Federação Canadense de Agricultura avaliou o cenário: “O alívio tarifário é bem-vindo, mas os agricultores precisam de segurança duradoura. A retirada de todas as tarifas e medidas retaliatórias impostas recentemente que afetam a agricultura daria apoio aos agricultores dos dois lados da fronteira e ajudaria a manter os alimentos a preços acessíveis.”

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