A última sessão de negócios antes do segundo turno da disputa presidencial é marcada por forte cautela entre os investidores nesta sexta-feira (23). O movimento ocorre após a divulgação de uma pesquisa Datafolha na véspera, que apontou um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos com 50% dos votos válidos.
O levantamento também indicou uma oscilação na rejeição dos candidatos. A antipatia em relação a Flávio Bolsonaro subiu de 44% para 46%, ao passo que a o índice de Lula recuou de 46% para 44% na comparação com a sondagem anterior. Nos votos totais, o candidato do PL aparece com 47%, contra 46% do petista, enquanto 5% declararam voto em branco ou nulo e 2% se mantêm indecisos.
No fechamento da última quinta-feira (22), o Ibovespa registrou queda de 1,15%, encerrando aos 204.120,21 pontos. O índice foi pressionado por ajustes de posições dos agentes financeiros diante da proximidade do pleito e pelo desempenho negativo dos mercados internacionais. Nos momentos mais críticos do dia, o indicador chegou perto da faixa dos 203 mil pontos.
Agenda política e debate na TV Globo Ao longo do dia, o mercado acompanha uma nova bateria de sondagens eleitorais, incluindo números da Alfa Inteligência, Ipespe/Abrapel, Real Time Big Data, Veritá e Vox Brasil. O ápice da agenda política acontece à noite, com o debate final entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo, marcado para as 21h25.
Para analistas, a estratégia dos candidatos na reta final exige cautela. “Flávio deve moderar tom no debate da Globo para evitar perda de votos”, avalia o especialista Murilo Medeiros, destacando que o senador precisa evitar deslizes, enquanto seu oponente aposta em um passo em falso do adversário para tentar reverter a vantagem do primeiro turno.
Cenário econômico e IPCA-15 No âmbito macroeconômico, o foco se volta para a divulgação do IPCA-15 de outubro pelo IBGE, considerado a prévia da inflação oficial do país. A projeção do Bradesco aponta para uma alta mensal de 0,45%, impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos, que devem registrar a maior variação desde maio devido aos impactos do fenômeno El Niño. Já o Itaú estima uma elevação de 0,51%, o que levaria a taxa acumulada em 12 meses a 4,8%, ante os 4,5% anteriores. Os dados são essenciais para calibrar as expectativas sobre os próximos rumos da política monetária.
Balanços corporativos No setor corporativo, o destaque foi a divulgação dos resultados do Bradesco (BBDC4) referentes ao terceiro trimestre de 2026 (3T26). O banco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no período, o que representa um avanço de 0,8% sobre o trimestre anterior e uma alta de 14,6% na base anual, vindo em linha com as projeções do mercado.
Cenário internacional Fora do Brasil, as atenções se dividem entre os desdobramentos políticos e econômicos globais. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump saiu em defesa de uma propaganda eleitoral do republicano Vivek Ramaswamy que utiliza declarações da mãe da candidata democrata ao governo de Ohio, Amy Acton. Trump classificou a peça como “muito poderosa” e afirmou que as críticas fazem parte de uma tentativa da imprensa de atingir seu aliado. Na França, milhares de protestos ocorreram em Paris após uma série de confrontos e saques que marcaram os episódios de violência mais intensos no país em anos. Por fim, na América Latina, a política equatoriana Luisa González, principal figura da oposição e protegida do ex-presidente Rafael Correa, foi presa sob investigação de supostas irregularidades no financiamento de sua campanha em 2023.
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