O Brasil lançou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GtCO2e) no ano passado, registrando uma retração de 6% em comparação com os 2,19 GtCO2e contabilizados em 2024. A baixa é fruto direto da contenção da devastação florestal, com destaque para os biomas amazônico e cerrado.
Os números representam o patamar mais baixo desde 2018, recolocando o país nos níveis anteriores à gestão de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente, que atualmente cumpre pena preso por tentativa de golpe de Estado, enfraqueceu os órgãos de fiscalização ambiental, gerando uma disparada nas taxas de desmate durante o seu quadriênio.
As informações foram compiladas pelo Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), iniciativa do Observatório do Clima, e tornadas públicas nesta quarta-feira (21).
Emissões líquidas e metas internacionais
Ao analisar as emissões líquidas — métrica que desconta a regeneração da vegetação secundária e a retenção de carbono em reservas protegidas —, o volume ficou em 1,4 bilhão de toneladas. O montante significa um recuo de 9% frente ao ano anterior e marca o menor patamar registrado desde 2012.
O governo brasileiro utiliza o indicador de emissões líquidas para prestar contas sobre as medidas nacionais de mitigação perante a ONU. Com o índice divulgado pelo Seeg, o país superou as expectativas e ficou 6% abaixo da sua meta climática, formalizada na NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada). O compromisso assumido pelo Estado brasileiro no Acordo de Paris, pacto global para conter o aquecimento terrestre, estabelecia o teto de 1,32 GtCO2e até 2025.
“Nós teríamos cumprido a NDC de 2025, não fosse pelo governo Bolsonaro”, afirma o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo. “A partir de 2023, tivemos que correr muito atrás do prejuízo. O Brasil partiu de um lugar muito mais desfavorável para o cumprimento da NDC, com taxas de desmatamento acima de 10 mil km² na amazônia.”
Desmatamento em baixa e impacto nos setores
Por ser o principal vetor de emissões poluentes no país, o desmatamento apresentou novas reduções na perda de cobertura vegetal nativa na Amazônia e no Cerrado pelo segundo ano consecutivo em 2025.
Dessa forma, as emissões brutas decorrentes da mudança no uso da terra — categoria encabeçada pelo desmate — encolheram 15% na comparação com 2024, passando de 957 MtCO2e (milhões de toneladas de gás carbônico equivalente) para 814 MtCO2e.
Considerando o cenário líquido, a retração chegou a 48% no mesmo intervalo, saindo de 311 MtCO2e para cair a 162 MtCO2e. Comparado a 2022, último ano da administração de Jair Bolsonaro, quando a taxa líquida marcava 860 MtCO2e, houve uma queda de 81% no setor durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No panorama bruto, a diminuição foi de 46%, caindo de 1.505 MtCO2e em 2022 para 814 MtCO2e em 2025.
Nos demais segmentos da economia nacional, a poluição climática oscilou timidamente. As emissões brutas da agropecuária mantiveram-se patamares de 626 milhões de toneladas de CO2e no decorrer de 2025, configurando um recuo de 0,1%. Da mesma forma, os processos industriais e o uso de produtos registraram estabilidade, com alta de apenas 0,2% e total de 94 MtCO2e.
O setor energético teve acréscimo de 1,2%, subindo de 422 MtCO2e em 2024 para 427 MtCO2e em 2025. A variação mais expressiva ocorreu na área de resíduos, que avançou 3,6% ao saltar de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e no período analisado.
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