As companhias brasileiras listadas na B3 sofreram uma desvalorização massiva de R$ 963 bilhões em seu valor de mercado durante a semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais.
O mês de outubro já vinha registrando um cenário desafiador para o Ibovespa, que acumulou baixa de 9,88%. No entanto, o desempenho semanal evidenciou a dimensão da forte reprecificação dos ativos após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento foi impulsionado pela deterioração nas projeções para as taxas de juros e para o cenário fiscal do país, além de um panorama internacional marcado por maior aversão ao risco.
O principal índice da bolsa brasileira encerrou a semana com um recuo de 18,12%, configurando a maior baixa desde março de 2020 — quando a queda foi de 18,88% — e a quinta maior retração semanal desde a implementação do Plano Real, conforme dados mapeados pela consultoria Elos Ayta.
O valor consolidado das empresas caiu de R$ 5,684 trilhões no dia 23 de outubro para R$ 4,721 trilhões em 30 de outubro, representando uma retração de 16,94%. “Para dimensionar a magnitude dessa perda, o montante equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras (PETR3;PETR4), atualmente estimado em R$ 734 bilhões. Em outras palavras, a Bolsa brasileira perdeu, em apenas uma semana, o equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, aponta o levantamento.
Dessa forma, a desvalorização anulou quase todo o ganho acumulado pelo mercado acionário ao longo de 2026. Entre o encerramento de 2025 e o dia 23 de outubro, as empresas haviam somado R$ 972 bilhões em valor de mercado. Desse total, R$ 378 bilhões haviam sido incorporados logo após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Em contrapartida, o dólar avançou mais de 9% na semana, atingindo sua maior cotação de 2026. Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, aponta que a desvalorização do real ocorreu principalmente porque os investidores haviam apostado “unilateralmente” na vitória da oposição, cenário no qual projetavam um ajuste fiscal rígido para 2027.
Ações em destaque e fortes quedas
Diante do cenário de busca por proteção, poucas ações do Ibovespa fecharam no azul. Apenas três papéis subiram mais de 10%: Suzano (SUZB3, +17,05%), WEG (WEGE3, +13,74%) e Embraer (EMBJ3, R$ 13,41%), todas impulsionadas pelo perfil exportador. TIM (TIMS3, +1,26%), Vale (VALE3, +0,24%) e Gerdau (GGBR4, +0,04%) completam a lista de altas.
Por outro lado, ativos que haviam apresentado forte valorização até 24 de outubro — embalados pela queda dos juros futuros — lideraram as perdas. Papéis como Vamos (VAMO3, -62,87%), Magazine Luiza (MGLU3, -58,16%), Cosan (CSAN3, -55,19%), C&A (CEAB3, -52,67%), Hapvida (HAPV3, -52,43%), Cyrela (CYRE3, -52,35%) e MRV (MRVE3, -50,91%) despencaram mais de 50% no período.
Lucas Castro, sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, avalia que o mercado segue em busca de um novo patamar de equilíbrio em meio às incertezas sobre a condução da economia no próximo ano.
“O mercado brasileiro segue pressionado pelos reflexos do resultado das eleições, que provocou uma forte reprecificação dos ativos diante das incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal”, afirma. “Esse movimento é agravado pelo desmonte de posições de investidores que apostavam em uma vitória da oposição, provocando saída de recursos e mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros.”
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