O primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado neste domingo (8), registrou uma taxa de abstenção de 32%. O índice superou o patamar verificado no ano anterior, quando a ausência ficou em 27%.
O balanço oficial foi apresentado durante entrevista coletiva à noite na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília.
Motivo para a alta nas ausências
De acordo com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o avanço nos índices de ausência já era previsto pela gestão federal, em decorrência da facilitação das inscrições para todos os concluintes do ensino médio da rede pública, estratégia adotada para expandir o acesso ao exame.
“Obviamente, você tem um aumento já esperado da abstenção, da ausência”, afirmou o ministro, ao explicar que a ampliação das inscrições de concluintes do ensino médio público influenciou o resultado.
Apesar da alta nas faltas, a avaliação oficial é de progresso no engajamento desse público. A projeção do Inep aponta que cerca de 65% dos concluintes da rede pública compareceram para fazer o exame neste ano, superando os 53,8% computados em 2025.
Perfil dos candidatos e tema da redação
O Enem de 2026 teve 5,05 milhões de inscritos, dos quais 3,23 milhões são mulheres, o equivalente a 63,98% do total. Os homens somam 1,82 milhão (36,02%). Entre os participantes com inscrições confirmadas, 13.821 têm mais de 60 anos. Do total de confirmados, 1,97 milhão pertence ao grupo de concluintes do ensino médio público, representando 39% dos inscritos.
Para incentivar a presença, o Ministério da Educação (MEC) expandiu a distribuição dos locais de aplicação. Mais de 85% dos concluintes da rede pública realizaram o teste na própria instituição de ensino onde estudam. O objetivo é combater a baixa adesão histórica em locais onde menos da metade dos concluintes costuma participar.
Nesta edição, o exame também passou a ser empregado como instrumento de avaliação da educação básica, substituindo o Saeb para o terceiro ano do ensino médio, conforme estabelecido em decreto presidencial. A etapa inicial contou com questões de linguagens, códigos e suas tecnologias, ciências humanas e a redação, cujo tema foi “A valorização do SUS como direito universal”.
Ocorrências e reaplicação
O balanço preliminar indicou a eliminação de 4.259 candidatos durante o primeiro dia. Problemas no fornecimento de energia elétrica exigiram a remarcação da prova em 39 locais de votação: 36 no Rio de Janeiro, dois no Amapá e um em Minas Gerais.
A situação das chuvas que afetaram regiões do país também foi monitorada. O ministro confirmou o direito à reaplicação em dezembro para quem sofreu impactos climáticos. O chefe da pasta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanharam a operação na sala de controle do Inep, que mobilizou mais de 596 mil profissionais em 1.901 municípios.
Lula comparou o esforço da pasta a um combate pacífico: “Fico imaginando as pessoas que vão para as guerras. Levam milhares de jovens para morrer. Colocam jovens num navio, avião, num trem e falam ‘vai lutar’. E não dá a certeza de que esses jovens vão voltar vivos. Nós aqui estamos fazendo uma guerra contra o retrocesso e estamos fazendo uma guerra pela educação”, declarou o presidente.
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