A administração dos Estados Unidos determinou nesta segunda-feira (19) que órgãos do governo interrompam o uso de ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas pela startup chinesa DeepSeek, em meio à intensa disputa tecnológica entre as duas superpotências. O governo da China repudiou a decisão e garantiu que vai resguardar seus negócios.
Por meio de um comunicado oficial do Departamento de Segurança Interna, a proibição se estende aos produtos da DeepSeek e a quaisquer tecnologias criadas por terceiros que utilizem essa IA, exigindo a remoção imediata dos dispositivos públicos.
A determinação abrange as agências civis sob alçada do departamento, mas não alcança as Forças Armadas nem os órgãos de inteligência. Até o momento, o Departamento de Defesa e a própria DeepSeek não se manifestaram sobre o caso.
“Os modelos da DeepSeek apresentam múltiplos vetores de ameaça”, aponta um relatório que acompanha a diretriz oficial.
Segundo o órgão americano, a utilização desses recursos tecnológicos “pode resultar na transferência de dados sigilosos (para a China) caso sejam utilizadas por funcionários ou fornecedores do governo dos Estados Unidos”.
A justificativa aponta que os servidores da empresa ficam na China, cuja legislação concede ao governo local “ampla autoridade” para acessar sistemas de corporações privadas. Em resposta, Pequim classificou a restrição como um abuso.
“A China sempre se opôs à ampliação excessiva do conceito de segurança nacional e à politização de questões relacionadas à ciência, à tecnologia e ao comércio”, declarou a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Mao Ning, nesta terça-feira (20).
O avanço da DeepSeek no mercado global
A companhia chinesa ganhou destaque mundial em janeiro de 2025 ao apresentar um chatbot econômico e altamente eficiente, abalando a hegemonia tecnológica norte-americana. Posteriormente, a organização lançou o modelo V4 em abril e disponibilizou uma versão aprimorada e mais rápida neste mês.
Autoridades americanas também acusam a DeepSeek e outras companhias do setor na China de realizarem o furto sistemático de recursos pertencentes a modelos avançados de rivais dos Estados Unidos.
Apesar das tensões comerciais, as duas nações firmaram um acordo em setembro para estabelecer um “canal de comunicação” voltado a lidar com eventuais incidentes envolvendo inteligência artificial.
A pauta tecnológica deve retornar ao centro das discussões durante o encontro entre os líderes das duas potências, programado para o próximo mês na cidade de Shenzhen, na China.
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