A piora no ambiente de crédito e o crescimento das dívidas das famílias fizeram com que a Hix Capital decidisse evitar ações voltadas ao varejo e ao consumo doméstico na B3 (B3SA3). Atualmente, a gestora direciona suas atenções para companhias que apresentam alta previsibilidade de receitas e capacidade de multiplicar o capital investido nos próximos anos, visto que a renda da população segue comprometida pelo cenário econômico.
A estratégia de investimentos foi detalhada durante participação no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Na ocasião, o fundador e gestor da Hix Capital, Rodrigo Heilberg, pontuou que a busca por ganhos expressivos até 2030 envolve afastar-se de papéis cíclicos e priorizar negócios capazes de ampliar seus resultados sem depender diretamente da atividade econômica interna.
“É o que a gente mais está procurando: tentar encontrar essas histórias em que eu olho e falo: ‘Esquece o lucro de 2027, vamos pensar no lucro de 2028, 2029’, e tentar encontrar as companhias em que estou comprando a 5 vezes o lucro de 2030, que vão me fazer multiplicar o dinheiro por 3 até 2030”, afirmou Heilberg.
A reticência em relação ao varejo tradicional decorre do peso que o endividamento exerce sobre os consumidores. Conforme apontado pelo gestor, o excesso de alavancagem compromete o poder de compra inclusive de trabalhadores que recebem salários mais elevados.
“Estamos vendo o ambiente de crédito piorando, na margem vem piorando faz algum tempo. Foi engraçado: a gente teve um papo com os executivos da Cury recentemente e um deles falou: ‘Poxa, um terço dos meus executivos aqui não tem renda disponível para comprar um apartamento, porque estão todos tomados até o talo no consignado privado’”, exemplificou.
Apostas em bancos digitais e mercado de capitais
Para alcançar a meta de valorização sem precisar contar com a retomada do consumo interno, a gestora reserva aproximadamente 10% do seu portfólio para nomes do mercado de capitais, com ênfase no BTG Pactual (BPAC11) e na XP. Na avaliação de Heilberg, a migração dos clientes rumo a produtos mais lucrativos e a reativação de transações financeiras garantem a escalada dos lucros dessas empresas.
“Isso vai afetar não só a margem individual do produto, porque o cliente vai sair de um produto de margem super baixa, como uma LCI, para ir eventualmente para um produto de margem um pouco mais alta, como um fundo ou mesmo tradar diretamente renda variável”, afirmou.
O executivo acrescenta que, simultaneamente, o consumidor pode preferir uma plataforma que ofereça maior variedade de opções e um “cacife melhor para atendê-lo nesse lugar, em detrimento de um bancão onde ele está acostumado muito mais a estar no CDB”.
Além das instituições financeiras tradicionais, o portfólio mantém investimentos nos papéis do Nubank (ROXO34). A companhia é vista pelo gestor como a mais lucrativa do segmento no Brasil, unindo perspectivas de crescimento internacional no México e nos Estados Unidos com múltiplos convidativos frente ao seu lucro projetado para o futuro.
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