O governo dos Estados Unidos colocou funcionários em estado de alerta elevado em todo o Oriente Médio e começou a reduzir o efetivo de embaixadas e consulados devido a informações de inteligência que indicam que o Irã está em estágio avançado de planejamento de ataques contra americanos, segundo autoridades ouvidas.
Funcionários de inteligência alertaram o secretário de Estado, Marco Rubio, em um memorando enviado na sexta-feira (23), sobre os riscos para funcionários do Departamento de Estado no Oriente Médio e em outras regiões, de acordo com as fontes.
O memorando, de Jay Clayton, diretor de Inteligência Nacional, afirmou que as agências haviam “recebido informações de inteligência de que o Irã aumentou substancialmente os esforços para atacar funcionários americanos”. Ainda segundo o texto, “os esforços dos iranianos para planejar ataques letais contra cidadãos dos EUA chegaram a estágios avançados”.
O governo de Donald Trump confirmou a veracidade do memorando na noite de sexta-feira por meio de uma autoridade americana. A medida demonstrou a seriedade com que o governo dos EUA está tratando a ameaça, disseram autoridades.
Escala de risco e alcance global
As agências americanas avaliam que a ameaça contra cidadãos dos EUA no Oriente Médio e em vários outros países está no nível mais alto desde o início da guerra, em fevereiro. Donald Trump e seus principais assessores têm recebido informes regulares sobre o aumento dos riscos.
Analistas vêm examinando, nas últimas três semanas, informações de inteligência sobre as ameaças contra autoridades americanas, incluindo embaixadores. Alguns dados indicam que o Irã pode ter agentes em território americano, segundo uma autoridade. Os planos iranianos também incluem possíveis alvos na Europa, de acordo com funcionários americanos.
Outra autoridade, porém, ponderou que a capacidade do Irã de realizar ataques nos EUA e em outros territórios no exterior é limitada e que suas ambições de atacar superam sua capacidade de concretizá-las.
A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário. O gabinete de Clayton e a CIA se recusaram a comentar.
Ajustes diplomáticos
O Departamento de Estado afirmou que “avalia constantemente novas informações sobre o ambiente de segurança no que diz respeito ao pessoal de embaixadas” dos EUA. Segundo a autoridade da pasta ouvida pela reportagem, a ameaça de ataques das forças houthis no Iêmen e de “planos terroristas iranianos contra autoridades americanas” está orientando as decisões do departamento sobre ajustes no efetivo das embaixadas. As missões diplomáticas já operavam com equipes reduzidas, sob o que a pasta chama de “regime de funcionamento restrito”, frequentemente adotado em zonas de conflito.
No memorando enviado a Rubio na sexta-feira, Clayton disse que buscava reduzir o nível de classificação de sigilo de algumas informações de inteligência para que mais funcionários do governo americano pudessem ser informados sobre o tema indicado no assunto do documento: os “planos de ataques letais contra americanos no Oriente Médio e em determinados outros países”.
Na quarta-feira (21), o Departamento de Estado ordenou a saída de funcionários não essenciais e de seus familiares da Arábia Saudita, informou Tommy Pigott, porta-voz da pasta, em comunicado.
O departamento também vem transferindo discretamente funcionários para dentro e para fora de muitas outras missões diplomáticas na região. Quase todas as missões americanas no Oriente Médio foram colocadas em “regime de funcionamento restrito”, o que dá ao departamento maior margem para ajustar o efetivo sem emitir comunicados públicos.
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