O Ministério das Relações Exteriores convocou nesta quinta-feira (29) a encarregada de negócios da embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para exigir explicações acerca da suposta colaboração da gestão de Javier Milei na viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos. O parlamentar, acompanhado por sua esposa e duas filhas, deixou o território argentino a bordo de uma aeronave particular na noite de terça-feira (27).
María Emilia Cortés compareceu ao Itamaraty em Brasília, onde foi atendida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, que lidera o Departamento de América do Sul. Tal atitude diplomática representa o protocolo habitual adotado quando um Estado busca manifestar seu desagrado perante medidas tomadas por outra nação.
A diplomata está à frente da representação argentina desde o mês de agosto, período em que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu o patamar dos vínculos bilaterais para o nível de encarregados de negócios, além de remover o embaixador Guillermo Daniel Raimondi da função. A medida ocorreu após Milei se referir a Lula como “ladrão” e “presidiário” durante o evento do PL que sacramentou a candidatura de Flávio à Presidência, em julho.
O trajeto e a ordem judicial Derrotado por Lula no segundo turno que ocorreu no domingo (25), Flávio ingressou na Argentina cruzando a fronteira em Foz do Iguaçu (PR) às 22h50 de terça-feira, de acordo com dados da Direção Nacional de Imigrações da nação vizinha. Passados quarenta minutos, o grupo familiar partiu em uma aeronave fretada junto à operadora Baires Fly, realizando uma parada técnica em Guayaquil, no Equador, e aterrissando em Miami no período da manhã de quarta-feira (28).
O deslocamento aconteceu logo após o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar a retenção dos passaportes do parlamentar, atendendo a uma solicitação da Polícia Federal (PF) que havia indicado perigo de evasão.
Versões desencontradas de Buenos Aires A administração de Buenos Aires divulgou relatos contraditórios ao longo do caso. Durante a terça-feira, o porta-voz de Milei, Fabián Fernández, desmentiu à agência Bloomberg a presença de Flávio no país, e o setor de migrações alegou ausência de registros sobre a entrada. Contudo, nas primeiras horas de quarta-feira, a mesma entidade migratória validou o trânsito da família pelo território argentino e a subsequente decolagem com destino aos Estados Unidos.
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