Juliana Stephani, veterinária: “A pessoa favorita de um cachorro é aquela que impõe limites sem agressividade”

Entenda por que o seu cachorro escolhe você como a pessoa favorita dele

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A pessoa favorita de um cachorro não é necessariamente a que dá mais petisco ou faz mais carinho. Para a veterinária argentina Juliana Stephani, o cão costuma escolher quem impõe limites sem agressividade, mantém uma rotina estável e transmite segurança no dia a dia.

Essa revelação desafia uma crença bastante popular nos lares: a de que o animal de estimação prefere quem enche sua tigela. Conforme a especialista, ganha esse status de referência quem une firmeza, carinho e coerência, permitindo que o pet saiba exatamente o que esperar de suas atitudes.

A importância da constância e da calmaria

Os cães possuem alta sensibilidade à postura, à energia e ao comportamento das pessoas ao redor. Por esse motivo, eles acabam se achegando de quem transmite confiança e estabilidade na rotina.

Juliana resume essa dinâmica com clareza: “O vínculo se forja com tempo, paciência e presença real”. Na prática, isso significa que o animal confia em quem age sempre da mesma maneira. Caso o tutor brigue em um dia e ache graça da mesma travessura no outro, o cão perde o ponto de referência.

Organizar horários para refeições, passeios e brincadeiras estabelece um ambiente previsível. Quando compreende a sequência dos acontecimentos, o bicho fica mais relaxado e absorve melhor as expectativas da casa.

Para fortalecer essa relação, a veterinária recomenda: * manter horários e atividades que o cachorro consiga reconhecer; * impor limites com paciência, sem recorrer à agressividade; * dividir momentos de qualidade, como passeios e brincadeiras; * oferecer carinho e atenção de forma constante; * passar segurança e coerência pelo comportamento diário.

Adestramento humanizado e sem gritos

Estabelecer limites não quer dizer maltratar o animal ou tentar dominá-lo pelo medo. Castigos físicos, gritos e posturas intimidadoras ficam completamente descartados, priorizando regras claras e coerentes.

Essa visão está alinhada ao posicionamento da Sociedade Americana de Veterinária em Comportamento Animal (AVSAB). Em documento divulgado em 2021 sobre adestramentos humanizados, a organização aponta que as evidências favorecem técnicas baseadas em recompensas para qualquer tipo de treino, sem a necessidade de métodos aversivos que envolvam força, dor ou desconforto.

O texto detalha o funcionamento de um treino por recompensa: utiliza-se um gesto ou sinal vocal para pedir a conduta, um clique ou palavra para marcar o acerto, seguido imediatamente por um petisco, brinquedo ou outro reforço positivo. Ensinar a conduta correta supera punir o erro. Pular em visitas, por exemplo, pode ser corrigido ajustando o ambiente e premiando o comportamento de quatro patas no chão.

Em contrapartida, estudos de observação citados pela AVSAB demonstram que cães submetidos a métodos aversivos exibem sinais de estresse — como postura baixa, corpo tenso, rabo abaixado, lamber os lábios, bocejos e ganidos. Investigações com tutores também relacionam essas práticas a ansiedade e agressividade no longo prazo.

Apesar de tais pesquisas não comprovarem causa e efeito de forma isolada, a entidade reforça que cães educados por meio de recompensas apresentam menos distúrbios comportamentais e prestam mais atenção. Casos graves de medo intenso, ansiedade ou agressividade exigem acompanhamento profissional e plano terapêutico adequado.

Sinais de que você é o preferido do pet

Stephani aponta indícios comuns dessa forte conexão. O cão costuma acompanhar o tutor pela residência, mesmo em mudanças simples de cômodo; deita perto ou sobre ele; busca o olhar do dono para se sentir seguro; prefere interagir com ele; e relaxa com a sua presença.

Outros gestos cotidianos também revelam muito, a exemplo de quando o animal apoia a pata no braço do tutor ou inclina a cabeça ao escutar a voz de quem cuida dele.

Por fim, a veterinária faz duas ponderações importantes. O temperamento e a forma de demonstrar afeto variam conforme a personalidade de cada cão. Além disso, ter uma pessoa de referência não impede o animal de criar ótimas relações com os demais familiares. O vínculo, conclui Stephani, não surge instantaneamente: ele se desenvolve através de presença, cuidados e repetição de experiências positivas.

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