Justiça determina que CBV libere Tifanny para jogar na Superliga e na Supercopa

Justiça libera Tifanny para disputar a Supercopa e Superliga

Esportes

A jogadora Tifanny Abreu, do Osasco, garantiu na Justiça o direito de atuar em quadra nesta sexta-feira (16). Uma decisão liminar da Justiça do Rio de Janeiro determinou que a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) autorize a escalação da atleta no duelo contra o Praia Clube, válido pela Supercopa, e em todos os confrontos da Superliga feminina.

O despacho foi emitido pelo juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese, titular da 44ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. Em sua sentença, o magistrado estipulou sanções financeiras em caso de desobediência: “A medida deverá ser cumprida imediatamente, de modo a viabilizar a participação da autora na partida desta data, sob pena de multa de R$ 5 mil por partida em que a autora for impedida de atuar em razão do descumprimento”.

A ofensiva jurídica partiu de uma ação de urgência protocolada pela jogadora para derrubar a deliberação de agosto da CBV, que instituiu a proibição de atletas trans em competições da categoria feminina.

“Minha defesa protocolou um mandado de garantia, com pedido de liminar, na Justiça Desportiva, para que eu possa voltar a jogar a Superliga e disputar a Supercopa nesta sexta-feira”, afirmou a jogadora em comunicado.

Mudança nas regras da CBV

Anteriormente, a entidade máxima do vôlei nacional permitia que esportistas trans disputassem torneios femininos sob a condição de passarem por controle hormonal para sustentar os índices de testosterona abaixo de 5 nmol/L, seguindo orientações da Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS).

Entretanto, a CBV reformulou sua postura e alegou que o novo regulamento “se adequa ao atual cenário regulatório internacional e à necessidade de assegurar alinhamento entre os critérios aplicáveis às competições nacionais e aqueles adotados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), pela FIVB (Federação Internacional de Voleibol) e pela CSV (Confederação Sul-Americana de Voleibol).”

Diante do veto esportivo, Tifanny expressou o impacto da medida em sua carreira profissional: “Dediquei minha vida ao voleibol e trabalhei muito para chegar até aqui. Tenho um contrato em vigor, uma equipe e objetivos claros para esta temporada. Por isso, é muito difícil enfrentar uma situação que me impede de exercer minha profissão e fazer aquilo que amo”.

A atleta complementou: “Quero ter o direito de trabalhar, honrar meus compromissos e seguir minha trajetória dentro de quadra. Espero que a Justiça Desportiva analise o caso com a atenção que ele merece e tome uma decisão que me permita dar continuidade à temporada para a qual me preparei com tanta dedicação.”

Atuação estadual e posicionamento jurídico

Mesmo após o anúncio da restrição da CBV, Tifanny esteve em quadra pelo Osasco no Campeonato Paulista. Na ocasião, a Federação Paulista de Volleyball (FPV) permitiu sua escalação por entender que a competição estadual deveria manter os regulamentos vigentes no início do torneio, anteriores à alteração nacional.

A equipe jurídica da atacante reforçou a legitimidade de sua participação: “Nosso objetivo é garantir que a Tifanny possa continuar exercendo sua profissão e participando das competições, como faz há nove anos. Ela participou das competições que garantiram o lugar do Osasco na Supercopa, diante disso, é direito da atleta que contribuiu com a campanha estar disputando o campeonato”.

Debate global no esporte

A movimentação da CBV reflete uma tendência observada em diversas organizações esportivas, governos e federações internacionais, que vêm restringindo o ingresso de mulheres transgênero nas modalidades femininas de alto rendimento — decisões que recebem fortes críticas de ativistas dos direitos humanos e de grupos LGBTQIA+.

Federações globais de ponta, a exemplo da World Aquatics (natação), World Athletics (atletismo) e UCI (ciclismo), aplicaram travas mais severas nos últimos anos. Os defensores dessas limitações afirmam buscar equidade nas categorias femininas, apontando possíveis vantagens físicas decorrentes da exposição à testosterona antes da transição de gênero. Na comunidade científica, contudo, especialistas apontam que ainda inexiste consenso definitivo sobre eventuais vantagens esportivas de atletas trans.

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