Lulinha abre sigilos bancário e telefônico e Lula entrega documento ao TSE; desafiam Flávio Bolsonaro

Lulinha e Lula abrem sigilos e desafiam Flávio Bolsonaro

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Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, lançando um desafio direto ao candidato Flávio Bolsonaro para adotar a mesma medida. A decisão foi manifestada nesta segunda-feira (19) por meio de seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho.

O termo apresentado por Lulinha e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrange os dados dos últimos oito anos, sob a condição de que Flávio Bolsonaro também libere as próprias informações e de familiares especificados. Até o encerramento desta apuração, o concorrente pelo PL não havia respondido ao chamado.

Já na terça-feira (20), o presidente formalizou a entrega de um documento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitindo a publicidade de suas informações financeiras e telefônicas, além das da primeira-dama Janja e de sua família. A ação intensifica a cobrança feita por Lula durante o debate da Band, realizado no domingo (18), contra seu adversário no segundo turno da disputa presidencial.

Defesa à disposição da Justiça

Investigado em inquéritos que apuram suposta corrupção e tráfico de influência envolvendo o governo federal e empresas, Lulinha nega as acusações por meio de sua defesa e não possui condenações relacionadas a esses casos.

Ainda assim, o advogado Marco Aurélio de Carvalho informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão do cliente de devassar voluntariamente os dados e esclarecer quaisquer dúvidas.

“Ministro, eu estou aqui em nome do presidente para abrir as contas do Fábio, para colocar o Fábio à disposição da Justiça, para prestar qualquer esclarecimento que porventura se faça necessário”, declarou o representante legal. O mesmo posicionamento foi repassado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Investigação sobre Flávio Bolsonaro

Por sua vez, Flávio Bolsonaro também é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal relativas a crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um dos procedimentos em andamento no STF analisa o financiamento da obra cinematográfica Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Conforme a investigação, o senador teria articulado com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, um repasse estimado em pelo menos US$ 24 milhões para o custeio do longa-metragem. Enquanto a PF busca esclarecer a origem e o destino do montante, a defesa do parlamentar sustenta que se tratava de patrocínio privado.

Outro caso chegou à mais alta Corte do país neste mês de outubro, após um pedido policial para indagar suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, alvo de investigações sobre fraudes no INSS.

Dados reunidos pela corporação indicam que o senador detinha gerenciamento operacional sobre a conta de uma empresa offshore vinculada ao advogado, além de identificar o custeio de passagens aéreas para viagens do político à Europa ocorridas em 2025.

O parlamentar argumenta possuir apenas laços de amizade com Willer Tomaz. Em 2020, Flávio também enfrentou denúncia por organização criminosa, peculato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro no episódio conhecido como rachadinhas, durante seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Embora o Ministério Público apontasse um desvio de R$ 6 milhões em vencimentos de servidores, as acusações foram anuladas após decisões proferidas pelo STJ e pelo STF que invalidaram as provas, resultando na ausência de condenações e na negação contínua das irregularidades pelo político.

Repercussão nas redes sociais

Após o desafio lançado pelo chefe do Executivo, a tag #abreosigiloflavio alcançou a primeira posição entre os assuntos mais discutidos do Instagram e da rede social X na segunda-feira (19).

O movimento ganhou ainda mais visibilidade durante ato de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde o presidente exibiu publicamente o termo que seria remetido à Justiça Eleitoral.

“Vou entregar isso aqui amanhã no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o adversário apresente a proposta de abrir o sigilo da sua empresa e de seus negócios, porque é preciso acabar de uma vez por todas com essa história de chamar gente honesta de ladrão”, pontuou Lula.

O governante ainda justificou a inclusão de seus cinco filhos no documento. “Fiz questão de colocar meus cinco filhos, porque sei que, em toda eleição, fazem algo contra minha família”, disse, reforçando a intenção de proteger a reputação de seus entes queridos diante das críticas da oposição.

Abrangência e próximos passos

Segundo informações da emissora CNN Brasil, o material protocolado no TSE abrange registros bancários e telemáticos de um período de oito anos, exigindo que o clã Bolsonaro adote conduta semelhante, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A petição engloba ainda corporações associadas ao senador, a exemplo da Alcazar Holdings, com sede em Portugal e ligada ao advogado Willer Tomaz. Embora mencionada em reportagens sobre papéis obtidos pela PF que apontariam o uso da conta pelo parlamentar, a indicação não valida, por si só, condutas ilícitas.

Até o início da manhã desta terça-feira (20), o senador não havia respondido ao convite. Enquanto aliados do PL avaliam a investida como manobra eleitoral para provocar desgaste político e recomendam silêncio sobre o tema, a coordenação da campanha governamental planeja manter a pressão por transparência na reta final do pleito, com o assunto cotado para o debate da TV Globo previsto para o dia 23 de outubro.

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