Mark Zuckerberg afirma que Meta alcançou fronteira da IA e descarta pisar no freio

Meta lança IA Muse Wonder e Zuckerberg descarta frear avanços

Tecnologia

A Meta anunciou nesta segunda-feira (12) a estreia do Muse Wonder, seu mais recente modelo de inteligência artificial. Segundo o presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, a tecnologia coloca a empresa no mesmo nível de concorrentes diretos no setor. Rejeitando qualquer pedido de pausa ou desaceleração no desenvolvimento da ferramenta, o executivo garantiu que manterá aportes expressivos para rivalizar com nomes como Anthropic e OpenAI.

De acordo com o executivo, o novo sistema “permitirá comportamentos muito mais sofisticados, na fronteira do que vem sendo feito no campo da IA”. Em testes de desempenho técnico, a big tech afirma que o Muse Wonder conseguiu superar concorrentes de peso, como o Claude Opus 5.5 e o Fable 5.1 (da Anthropic), além do GPT-6 Astra (da OpenAI).

O novo produto marca uma virada estratégica após um período de pesados investimentos financeiros em infraestrutura de dados e na atração de pesquisadores renomados, impulsionado pelo desempenho abaixo do esperado do modelo Llama 4 em abril de 2025. “Chegar a este ponto exigiu tanto uma enorme capacidade computacional e muito investimento quanto um trabalho científico rigoroso realizado durante um longo período pela equipe envolvida”, destacou Zuckerberg.

Disputa corporativa e foco no usuário

Diferentemente de iniciativas anteriores voltadas ao código aberto, o Muse Wonder adota um formato “fechado” e será comercializado diretamente para o setor corporativo. As opções de planos variam entre US$ 0,20 (R$ 0,99) por milhão de tokens no pacote básico e chegam a US$ 200 (R$ 998) mensais na versão avançada Muse Wonder Full. O recurso promete solucionar demandas complexas, desde “entender um contrato de aluguel até interpretar informações financeiras ou de saúde”.

Apesar da entrada na disputa por contratos corporativos, a holding avaliada em US$ 1,8 trilhão (cerca de R$ 8,98 trilhões) pretende manter seu diferencial focado na “superinteligência pessoal”. O plano inclui a integração do modelo ao aplicativo Muse, assistente que utiliza agentes autônomos para tarefas diárias e que lidera os downloads nas lojas virtuais da Apple e do Android nos Estados Unidos. O sucesso do assistente impulsionou as ações da empresa em quase 10% desde o início de setembro.

Segundo Zuckerberg, enquanto os concorrentes buscam criar uma “AGI” — inteligência artificial geral voltada a superar a capacidade humana na maioria dos trabalhos —, sua prioridade é outra. “Todos os outros estão concentrados em trabalhos mais intelectuais e casos de automação, enquanto nós estamos muito mais focados no empoderamento pessoal”, afirmou, pontuando que almeja construir “coisas que façam bem ao mundo”.

O fundador da Meta apontou ainda uma “dicotomia” no cenário tecnológico atual, no qual sistemas conseguem desvendar grandes equações matemáticas, mas “ainda não têm bom senso suficiente para ser o assistente pessoal ideal”. Para ele: “Não sei o que significa, digamos, sociologicamente, termos sistemas de IA capazes de fazer esses cálculos matemáticos avançados antes de termos algo que consiga lidar de forma confiável com o atendimento ao cliente para todo mundo. Mas acho que, obviamente, ainda há muito a fazer nessa área.”

Segurança, governança e desafios

Zuckerberg assegurou que a Meta “já está trabalhando no próximo patamar” e que a evolução técnica “provavelmente parecerá avançar bem mais rápido daqui em diante”. Ao mesmo tempo, afastou preocupações extremas sobre a tecnologia sair do controle humano e recusou estimar o chamado “P(doom)”, probabilidade teórica de uma catástrofe global causada por máquinas inteligentes.

“Estou muito mais próximo da visão de que a IA é uma tecnologia que pode ser projetada com salvaguardas normais e desenvolvida de maneira responsável do que da visão antropomórfica da IA, segundo a qual ela simplesmente fará o que quiser”, declarou. O executivo também teve papel ativo na criação do “Acordo sobre Superinteligência” proposto pelo governo de Donald Trump, centrado na autorregulação corporativa.

O avanço, contudo, enfrenta barreiras comerciais e de privacidade. Recentemente, a Amazon bloqueou as ações automatizadas dos agentes do Muse em seu site. Além disso, a empresa lida com queixas pontuais de privacidade e o histórico de escândalos no setor — em agosto, a Meta aceitou desembolsar até US$ 18 bilhões (R$ 89,8 bilhões) em um acordo judicial nos Estados Unidos sobre proteção infantil e dependência digital.

Para responder a essas críticas, Zuckerberg aposta em soluções como a futura “Muse Confidential VM”, arquitetura na qual conversas e dados dos usuários serão blindados da própria empresa. “A maioria dos motivos que podem levar as pessoas a não confiar na empresa pode resultar em inovações tecnológicas bastante produtivas”, avaliou.

Internamente, a reestruturação para priorizar a inteligência artificial — que incluiu a contratação de Alexandr Wang para chefiar o “TBD Lab” — gerou atritos. A organização demitiu 10% do seu quadro em maio (8.000 funcionários) e provocou descontentamento ao planejar o monitoramento de toques no teclado e movimentos do mouse para alimentar seus sistemas.

Avaliando o impacto nas equipes, o executivo concluiu: “Uma empresa como a Meta fará muito mais coisas do que faz hoje, mas cada uma delas talvez possa ser realizada com um número um pouco menor de pessoas. Imagino que, no futuro, muito mais pessoas terão como trabalho usar a tecnologia para criar coisas do que têm hoje.”

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