Meta adia mudança de termos comerciais após críticas de entidades de mídia

Meta adia novas regras comerciais após pressão de entidades de mídia

Mercados

A Meta prorrogou para o próximo dia 20 de novembro a implementação de sua nova política de termos comerciais. A decisão ocorre em meio a intensas preocupações manifestadas por organizações que representam jornais e veículos de imprensa em relação ao rastreamento e à coleta de conteúdos em portais jornalísticos.

O cronograma inicial estabelecia a entrada em vigor das mudanças para 30 de outubro. Em declaração, a empresa justificou que o adiamento serve “para ter mais tempo para esclarecer aos parceiros e stakeholders o que muda e o que não muda —incluindo como a Meta usa rastreadores da web (web crawlers) e o fato de que os proprietários de conteúdo continuarão podendo usar o robots.txt para sinalizar suas preferências”.

O arquivo robots.txt funciona como um diretório que indica quais robôs possuem permissão para entrar em páginas da web. Trata-se de um aviso e não de uma barreira de segurança robusta.

Repercussão entre as entidades

Em um comunicado veiculado em seu portal na última quinta-feira (22), a Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias) apontou que as novas diretrizes concedem permissão à Meta para empregar ferramentas automatizadas com o objetivo de acessar endereços virtuais de qualquer companhia vinculada aos seus serviços, mantendo a captação contínua de atualizações desses portais.

Conforme a associação, a alteração permitiria que a gigante tecnológica monitorasse e reunisse dados de portais jornalísticos como exigência para que essas organizações utilizassem ferramentas corporativas no Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.

“Como quase toda organização jornalística mantém uma página no Facebook (a conta pública usada por empresas e editoras), um perfil empresarial ou uma conta de anúncios nas plataformas da Meta, a cláusula alcançaria o jornalismo dos veículos no mundo todo, não apenas o conteúdo que eles escolhem compartilhar na Meta. Editoras de todos os tipos, de jornais nacionais a títulos locais e revistas segmentadas, seriam afetadas”, afirmou a entidade.

No Brasil, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) declarou em nota que aguarda “que a Meta não apenas recue definitivamente desta aberração ética e jurídica como passe a negociar, nos devidos termos legais e morais, a autorização para uso de conteúdos de terceiros em seus produtos, em particular os de IA”.

Paralelamente, o grupo Movement for an Open Web (Movimento por uma Web Aberta), que reúne anunciantes do setor digital e companhias de jornalismo, informou ter protocolado reclamações junto à Comissão Europeia e à Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido, além de requerer medidas cautelares. A instituição sustenta que a modificação concederia à corporação prerrogativas irrestritas para aproveitar material jornalístico em suas ferramentas de inteligência artificial.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *