Microplastics are linked to inflammation—scientists might have finally worked out why

Cientistas descobrem como microplásticos geram inflamação

Tecnologia

A ciência acaba de dar um passo decisivo para desvendar por que os microplásticos fazem tão mal ao organismo humano. Um estudo publicado na revista Nature revelou que o contato direto entre fragmentos microscópicos de plástico e a água desencadeia a formação de moléculas altamente reativas, capazes de alterar substâncias vitais e danificar estruturas biológicas celulares.

A presença dessas partículas já havia sido associada anteriormente a quadros graves, como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), demência e tumores cerebrais, mas o mecanismo biológico exato por trás dessa relação permanecia um mistério.

Aumento da área de contato e reatividade

O grande perigo dessas partículas reside na sua escala. À medida que os materiais plásticos se degradam e atingem dimensões microscópicas, sua proporção de área de superfície em relação ao volume se multiplica drasticamente. De acordo com Wei Min, químico da Universidade de Columbia e um dos autores seniores da pesquisa, quando um cartão de crédito é fragmentado em partículas de cerca de 10 mícrons de diâmetro, sua área superficial cresce mais de 200 vezes. Essa expansão amplifica de forma intensa qualquer atividade química.

Durante o experimento, os cientistas analisaram diferentes polímeros amplamente utilizados, incluindo poliestireno, polietileno, policloreto de vinila (PVC), polipropileno e tereftalato de polietileno (PET). Como as superfícies plásticas são hidrofóbicas — ou seja, repelem a água —, as moléculas do líquido não conseguem formar suas pontes de hidrogênio habituais. Esse desarranjo molecular altera o ambiente elétrico local e dispara a reatividade química.

A crença tradicional de que o plástico em seu estado macroscópico é quimicamente inerte ignorava o comportamento tóxico de suas formas fragmentadas. “Para microplásticos, isso é especialmente importante porque a fragmentação cria enormes quantidades de nova área de superfície”, destacou Min.

Impactos nas células e próximos passos

Pesquisas anteriores já apontavam que a exposição aos microplásticos causava processos inflamatórios, estresse oxidativo e redução na atividade das mitocôndrias. A nova descoberta elucida essa via, comprovando que a interface entre a água e o plástico desestabiliza componentes fundamentais, como proteínas e membranas celulares.

A extensão desse dano em tecidos humanos vivos ainda precisa ser detalhada. “Em última análise, esperamos conectar a química interfacial fundamental com medições quantitativas de efeitos biológicos, o que nos ajudaria a entender melhor os riscos potenciais à saúde”, pontuou Min.

Para especialistas independentes, as conclusões abrem uma nova perspectiva para analisar a poluição plástica. Martin Wagner, toxicologista e biólogo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, que não participou do estudo, avaliou o resultado como entusiasmante. Segundo Wagner, o artigo “implica que os próprios microplásticos são uma fonte de espécies oxidativas… e o estresse oxidativo não é um efeito secundário da exposição.”

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