Nos Estados Unidos da década de 1960, Margaret, Viv e Bitsy levam o que parecem ser rotinas tranquilas em uma comunidade planejada no estado de Virgínia. Contudo, obstáculos logo aparecem: Margaret não consegue abrir uma conta bancária em seu próprio nome e Viv não consegue comprar anticoncepcionais sem a presença do marido. Elas não entendem exatamente por quê, mas sentem que o problema está nelas mesmas.
Tudo muda com a chegada de Charlotte, uma nova e excêntrica vizinha. Juntas, as quatro criam um clube do livro cuja primeira leitura é A mística feminina, de Betty Friedan. A partir daí, elas passam a enxergar a própria existência sob uma nova perspectiva, ressignificando casamento, maternidade e trabalho, enquanto iniciam uma jornada rumo à autodescoberta.
Este é o segundo título de Marie Bostwick traduzido no Brasil. Em 2024, A transformação de Celia Fairchild foi publicado pela Harlequin, em tradução de Flora Pinheiro.
Os desafios da escrita
Trecho de O clube do livro para mulheres impertinentes, de Marie Bostwick
A primeira coluna de Margaret seria publicada no próximo número da revista. Ela já entregara sua segunda coluna, sobre o falso bolo caseiro, e estava trabalhando na terceira. Perdera a conta do número de horas e de rascunhos gastos no processo. Ainda assim, depois de reler as páginas naquela tarde, decidira que estava um lixo e recomeçara do zero. De novo.
Era uma coluna de revista, não literatura. Mas ela queria desesperadamente que fosse uma boa coluna de revista. Leonard Clement havia sido claro; seu trabalho era escrever palavras que fizessem as mulheres sorrirem. Ela não tinha nenhum problema com isso.
Se pudesse ajudar outras mulheres a sorrir ou a dar uma boa risada, mostrar que não eram as únicas a cometer erros ou a tomar atalhos, que usavam mistura de bolo pronta, comiam doces às escondidas, esqueciam-se de buscar o filho no treino de beisebol, detestavam descongelar o freezer, encerar o assoalho ou interagir com os sogros, que tinham vontade de gritar quando dava cinco horas e se viam diante da milionésima travessa de frango congelado…
Bem, isso não era nada.
Se Margaret aprendera alguma coisa nos últimos meses, era que a maioria das mulheres precisava desesperadamente de uma risada. Mas, se possível, ela também queria escrever colunas que as fizessem parar e pensar, ou mesmo mudar. Queria isso mais que tudo.
Nada que escrevera até então sequer chegara perto. Chegaria um dia?
— Você não tem nada do que se desculpar — afirmou Margaret, andando de volta até o sofá e sentando-se ao lado de Charlotte. — Se faz alguma diferença, eu não estava tentando fazer média. Realmente acho que é maravilhosa.
— Obrigada. Agora, podemos por favor falar de alguma outra coisa?
Charlotte deu uma risada e abriu um sorriso tão animado quanto antes. Margaret se impressionou com o quanto aquele sorriso era genuíno, como se de repente ela tivesse virado a página e passado a um estado de espírito totalmente distinto. Será que era verdadeiro? Pois parecia.
— Como vai a escrita? E quando vamos finalmente ver seu nome impresso?
— Nos próximos dias.
— Bem, mal posso esperar pra ler — comentou Bitsy, com o sotaque um pouco mais arrastado que de costume. — Nós todas vamos poder dizer que já te conhecíamos antes.
Bitsy deu mais um gole no drinque, depois se inclinou e pegou da mesa uma tigela cheia de esferas encaroçadas, cor de terra.
— Alguém quer provar um bolinho de cogumelo com feijão? — perguntou ela. — São mais gostosos do que parecem.
Margaret duvidava que fossem, mas colocou um no prato só para ser educada. Pelo visto, Bitsy estava levando a sério a ideia de virar vegetariana. Ela ficara muito animada ao receber de Margaret o livreto de receitas enviado por Helen.
Charlotte recusou, dizendo que ainda estava um pouco cheia da fatia de bolo, depois estendeu a mão para além dos palitinhos de aipo, pepino e cenoura crus acompanhados de molhinho de sopa de cebola, preparados por Viv, para pegar seu exemplar de A mística feminina.
— Então, alguém quer falar do livro?
— Ah, eu quero!
Bitsy levantou o braço como uma criança na escola com a resposta para um problema de matemática escrito no quadro.
— Mas, primeiro, eu tenho uma pergunta. É normal odiar o marido?
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