Nashville transforma música country em roteiro turístico e cultural

Nashville: o roteiro perfeito pela capital do country nos EUA

Turismo

Botas compridas, feitas com couro de tudo o que é bicho, são onipresentes nas calçadas da Broadway, a principal rua de Nashville. Muitas vezes vêm acompanhadas de minissaias e chapelões, o look típico da cidade que se tornou símbolo da música (e da moda) country nos Estados Unidos.

Mas pergunte a algum dos locais, e eles dirão que esse estilo é coisa de turista, que nenhum nativo se veste assim. De qualquer forma, só corrobora o lugar ocupado pela capital do Tennessee no imaginário americano. Numa aproximação algo tosca, dá para dizer que se Nova Orleans é Salvador, Nashville é Goiânia.

Suas maiores atrações são os honky-tonks, bares típicos em que é possível ouvir música ao vivo. Os principais estão enfileirados na Broadway, atrás de letreiros luminosos, de um neon que chega a atordoar quando a noite cai. Hoje em dia, os gêneros tocados nesses lugares são variados, mas alguns bares preservam as raízes, como é o caso do Robert’s, que não permite outro estilo que não seja o country.

Para entender por que Nashville virou sinônimo desse tipo de música, é necessário recuar cem anos, quando uma estação de rádio local, a WSM, com alcance em boa parte do país, lançou o Grand Ole Opry, programa que dava espaço à música caipira americana. O sucesso foi tanto que atraiu à cidade grandes gravadoras, que criaram ali todo um ecossistema para a indústria da música.

Museus e estúdios históricos

Boa parte dessa história é contada no Country Music Hall of Fame, um museu gigantesco que mostra como o country moldou Nashville e celebra os grandes nomes desse estilo que, nos EUA, é tão hegemônico quanto o sertanejo é no Brasil. Expõe em vários andares linhas históricas, vídeos, trajes, discos e itens de nomes como Johnny Cash, Willie Nelson, Garth Brooks, Shania Twain e Taylor Swift, entre tantos outros.

A entrada para o museu custa US$ 31,95 (R$ 175), mas pagando mais US$ 13 (R$ 71) é possível combinar a visita com um tour guiado pelo RCA Studio B, perto dali. É um estúdio histórico onde Elvis Presley gravou hits como “Are You Lonesome Tonight?” e “It’s Now or Never” e onde Dolly Parton, a maior musa local, deixou imortalizadas, no mesmo dia em 1973, as pedradas “Jolene” e “I Will Always Love You”.

Dá para entrar na sala de gravação, sentar ao piano que está por lá desde 1957 e ouvir uma dúzia de anedotas do guia (como a de que Elvis comprava hambúrgueres e milk-shakes às dezenas para todo mundo varar madrugada adentro com ele).

Outra opção imperdível é o novíssimo National Museum of African American Music, que lembra o legado negro na música americana. Aberto em 2021, ele é separado em eixos temáticos, como blues, jazz, soul, gospel e hip-hop, farto em material audiovisual e em interatividade. Dá para participar de batalhas de rap, aprender passos de disco e compor faixas. Entradas custam US$ 33,33, mas são grátis nas primeiras quartas-feiras do mês.

O Ryman Auditorium, com seus mais de 2.000 lugares, recebeu diversas apresentações do Grand Ole Opry no passado e ainda é uma importante casa de shows em atividade. É possível fazer um tour pelo lugar (a partir de US$ 25 ou R$ 137), mas a visita talvez valha apenas aos realmente aficionados pelo country, que o chamam de “igreja mãe” deste gênero.

Gastronomia e paradas imperdíveis

Ouvidos não muito musicais podem aproveitar outros aspectos de Nashville, como o culinário. O frango apimentado, especialidade gastronômica local, pode ser provado no Assembly Food Hall, uma praça de alimentação bem próxima da Broadway, mais especificamente no Prince’s Hot Chicken, que serve porções com várias gradações de pimenta.

Frituras à parte, a cidade tem uma cena foodie vibrante. O Folk, restaurante indicado pelo Guia Michelin, serve pratos com ingredientes frescos, como linguado com repolho e manteiga noisette. Já a D’Andrews é uma pedida para o café da manhã, com boas opções de bolos e tortas, como o donut de brioche com creme de baunilha.

Mais afastada do centro, a avenida 12th South enfileira butiques de pegada vintage, grifes descoladas como a californiana Marine Layer, alguns cafés e uma boa parada para quem ainda quiser mais comida boa e gordurosa. É o Edley’s, especializado em churrasco sulista, isto é, bem defumado. Para sair rolando.

Ícones de Nashville

* Dolly Parton: A rainha da música country americana nasceu ali perto, nas chamadas Smoky Mountains do Tennessee, e é venerada em Nashville, para onde se mudou logo após se formar no colégio. Mesmo antes de morrer seu rosto já estampava camisetas, livros e pôsteres em todo lugar. Hoje, estuda-se rebatizar o do aeroporto local para homenageá-la. * Johnny Cash: Nascido no estado do Arkansas, o cantor de voz profunda e roupas pretas fez morada em Nashville. A cidade abriga um pequeno museu em sua memória, com alguns de seus artigos pessoais, como trajes e instrumentos. Entradas custam US$ 33 (R$ 181). * Bota e chapéu: Dá para encontrar lojas que vendem esses artigos em todo lugar. A Big Time Boots e a Boot Country são dois desses endereços na Broadway. * Honky-tonks: São os bares locais de música ao vivo, em geral, country. A maioria se concentra na Broadway, a rua principal. Um dos mais autênticos é o Robert’s, hoje comandado por um brasileiro conhecido como Jesse Lee Jones, que tem uma banda chamada Brazil Billy, corruptela de “hillbilly” (caipira). * Uísque: O Tennessee ganhou fama mundial pela produção da bebida, parente do bourbon produzido no vizinho Kentucky. Há tours por várias destilarias locais. A Ole Smoky faz os seus à base de milho e vende moonshines, destilados em potes de conserva com vários sabores; o de pecã amanteigada é um dos mais conhecidos.

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