Novos protestos e Halloween: Paris teme “noite das trevas” e ativa centro de crise

França mobiliza 70 mil policiais e ativa centro de crise no Halloween

Economia

As principais cidades da França entraram em alerta máximo para o risco de uma onda de violência durante as comemorações de Halloween. A coincidência entre a terceira semana consecutiva de protestos contra o custo de vida, chamados para manifestações noturnas e o retorno dos estudantes às salas de aula na segunda-feira (2) levou o governo a classificar a data como de perigo muito elevado para a segurança pública.

O receio das autoridades é que grupos utilizem o contexto do Halloween, tradicionalmente marcado pelo uso de máscaras e fantasias, para encobrir atos como manifestações não autorizadas, confrontos com agentes policiais, depredações de patrimônio e saques.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, chamou atenção para uma série de convocações que circulam nas redes sociais com expressões como “Todos mascarados, a noite inteira” e “Noite das trevas”. Segundo o governo, algumas mensagens incentivam explicitamente atos de violência e insurreição a partir das 20h. Diante da possibilidade de novos episódios de vandalismo, o governo preparou uma operação nacional com 70 mil policiais civis e militares.

Em Paris, as medidas incluem reforço da segurança, retirada de objetos das ruas, fechamento de estações de metrô e restrições à circulação em determinadas áreas.

O que é a “noite das trevas”?

A expressão “noite das trevas” (nuit des ténèbres, em francês) apareceu em convocações divulgadas nas redes sociais para encontros noturnos em diferentes cidades francesas durante o Halloween. De acordo com reportagem do jornal francês Le Parisien, diversos perfis passaram a convocar manifestações a partir das 20h, em praças e centros urbanos de todo o país.

Algumas mensagens utilizam o Halloween como referência para organizar cortejos noturnos com participantes fantasiados. Outras fazem menções explícitas à revolução, à insurreição e à realização de saques e depredações. O ministro do Interior alertou os prefeitos sobre o risco de formação de manifestações espontâneas que acontecem fora dos trajetos autorizados pelas autoridades.

A legislação francesa prevê punições para quem oculta voluntariamente o rosto durante manifestações quando há risco de perturbação da ordem pública. Isso não significa que fantasias e máscaras estejam proibidas nas comemorações de Halloween. A restrição está relacionada às circunstâncias previstas na legislação e à utilização desses elementos para facilitar atos de violência.

O cenário de tensão atual ocorre em meio a uma sequência de protestos que teve início em 17 de outubro. Inicialmente impulsionada por estudantes do ensino médio insatisfeitos com as condições das escolas, a mobilização posteriormente incorporou reivindicações relacionadas ao custo de vida e aos serviços públicos.

O movimento ganhou dimensão nacional e passou a reunir estudantes, trabalhadores, agricultores, aposentados e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos. No primeiro sábado de manifestações, em 17 de outubro, o Ministério do Interior estimou a participação de aproximadamente 550 mil pessoas em todo o país. A mobilização foi acompanhada por episódios de violência, depredações e saques em estabelecimentos comerciais.

Na semana seguinte, em 24 de outubro, o governo contabilizou cerca de 410 mil participantes. Apesar da redução no número de manifestantes, a jornada terminou com 1.435 detenções, segundo o balanço apresentado por Nuñez. Para este sábado (31), o governo considera que a coincidência com o Halloween pode prolongar as manifestações e aumentar o risco de confrontos durante a noite.

Paris monta centro de crise

A prefeitura da capital ativou uma célula de gerenciamento de crise em coordenação com a Préfecture de Police, responsável pelo policiamento e pela manutenção da ordem pública na capital. O esquema de segurança também provocou alterações significativas no transporte público de Paris.

A pedido da Préfecture de Police, a RATP programou o fechamento de mais de 40 estações de metrô e RER ao longo deste sábado (31), em diferentes horários. Entre os locais afetados estão pontos importantes da capital, como Charles de Gaulle-Étoile, Concorde, Champs-Élysées-Clémenceau, Bastille, République, Opéra e Châtelet-Les Halles.

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