O dia depois de amanhã: economia difícil e um presidente impopular

Cenário de 2027 aponta economia difícil e presidente impopular

Mercados

Conforme dados do Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato e Jair Bolsonaro jamais alcançaram avaliação “ótimo ou bom” superior a 38% do eleitorado. A popularidade dos chefes do Executivo flutua consideravelmente, e líderes anteriores que registraram índices de aprovação maiores do que os de Lula 3 e Bolsonaro também enfrentaram quedas acentuadas de prestígio.

No entanto, existem diferenças marcantes. Esses antecessores chegaram a desfrutar de um prestígio muito superior e, além disso, não conviviam desde o início — e por quase toda a duração do mandato — com a rejeição de um terço ou mais dos eleitores, parcela que classifica a gestão como “ruim ou péssimo”. Esse cenário foi observado nas administrações de FHC 1, Lula 1 e 2, e Dilma 1.

Fatores por trás da insatisfação

Enquanto a impopularidade de FHC 2 e Dilma 2 pode ser atribuída a crises agudas, graves ou pontuais, o mal-estar difuso e a insatisfação crônica associados a Lula 3 e Bolsonaro parecem pertencer a outra categoria. As causas podem estar ligadas à polarização, para utilizar um termo impreciso, mas sintético, ou aos danos socioeconômicos acumulados na década de crises e sequelas entre 2014 e 2023. Isso inclui alto custo de vida, endividamento, degradação do trabalho, expectativas reduzidas de ascensão social e novas aspirações, além da política corrompida por algoritmos — ou a uma combinação de todos esses fatores.

O fenômeno extrapola as fronteiras nacionais e relaciona-se também com o fortalecimento da extrema direita. Há quase dez anos, governos ao redor do mundo enfrentam evidentes dificuldades para conquistar a reeleição. A disputa presidencial de 2026 recoloca o país nessa nova era de extremos, marcada por um eleitorado dividido. É provável que a próxima gestão se inicie com apoio limitado, sob um contexto de crise difusa e embates políticos.

Desafios para 2027

O ano de 2027 reserva dificuldades na economia, com potencial deterioração do padrão de vida — compreendendo salários, empregos e benefícios sociais estagnados ou contidos — e ameaça de recessión. A disputa por verbas públicas será intensa, deixando um hipotético governo Lula 4 politicamente encurralado. Por outro lado, um eventual governo Bolsonaro 2 tenderia a buscar revanches e indultos tumultuários logo no início. Promessas de campanha não cumpridas desgastam prestígios, enquanto discursos demagógicos aceleram crises estruturais.

Com baixos índices de popularidade ou falta de sustentação no Parlamento, presidentes correm o risco de sofrer impeachment pelo Congresso, a exemplo de Fernando Collor e Dilma Rousseff, ou de ceder ampla autoridade ao Legislativo, como fizeram Michel Temer e Jair Bolsonaro. Na prática, o sistema brasileiro transformou-se em um semipresidencialismo sob chantagem ou um semiparlamentarismo de avacalhação, dinâmica consolidada após a ascensão definitiva do centrão em 2014.

Perspectivas e caminhos políticos

Grandes reconfigurações políticas têm o potencial de alterar esse arranjo institucional para melhor ou para pior. Como hipótese, destaca-se a formação de uma ampla aliança de centro à esquerda em oposição ao projeto autoritário da extrema direita. Em contrapartida, a corrosão gradual das instituições democráticas promovida pela extrema direita também pode modificar o tabuleiro.

Tais alternativas exigem a construção de novas alianças sociais e econômicas, sejam elas de cima para baixo ou vice-versa, possivelmente fundamentadas em um modelo socioeconômico distinto, cuja implementação tende a ser lenta e complexa. Um sucesso econômico extraordinário também mudaria o panorama político, embora esteja fora do horizonte de curto prazo. Em contrapartida, agendas conservadoras na economia e na política podem estabilizar a situação.

É seguro projetar que o próximo chefe do Executivo enfrentará, no mínimo, baixa popularidade logo na largada. A forma como o governo e o Congresso responderão a esse cenário permanece como uma incógnita. Como a volatilidade econômica acentua os riscos políticos, a articulação de novas forças e alianças sociais, encabeçadas por lideranças inéditas, será mais crucial do que nunca para afastar desastres prolongados, barrar o autoritarismo e resgatar as perspectivas de progresso.

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