Em uma época dominada pela lógica dos algoritmos de streaming, a curadoria reassume o papel de ferramenta para a expansão cultural, resgatando a intencionalidade perdida no consumo automático. Na música ao vivo, a escalação de atrações materializa esse conceito ao misturar estilos variados e aproximar diferentes gerações de públicos.
Exemplo disso é o Festival Saravá, evento catarinense agendado para os dias 12 e 13 de dezembro de 2026. A curadoria reuniu artistas de identidade forte capazes de apresentar ao público momentos distintos da música nacional. O line-up conta com expoentes da nova cena pop, como Johnny Hooker, Rachel Reis, Luedji Luna, Gaby Amarantos, Don L, Lamparina, Exclusive Os Cabides e François Muleka convidando Ekena. Eles dividem espaço com lendas do tropicalismo — Caetano Veloso, Os Mutantes e Tom Zé — e com Seu Jorge, que soma quase 30 anos de carreira e passagens por palcos do Brasil e do exterior, enxergando nos festivais uma chance de redescobrir o próprio ofício.
Sobre essa dinâmica, Seu Jorge comentou:
“Festival tem essa coisa bonita de você encontrar um público que nem sempre sai de casa pra te ver. Tem gente que acompanha seu trabalho há muito tempo, tem quem conheça uma ou duas músicas e tem quem esteja te ouvindo pela primeira vez. O desafio é trazer todo mundo pra perto, fazer aquela plateia entrar no show com você. Isso não vem só da escolha das músicas, mas também da maneira como você chega, conversa, escuta a resposta das pessoas. Eu gosto de ter um repertório que permita esse encontro, com músicas que o público queira cantar junto, mas também espaço para mostrar outras coisas. Você pode ter muitos anos de estrada, mas não conhece aquela noite antes de subir no palco. Tem que estar presente, sentir o que está acontecendo e deixar a troca acontecer”.
Essa busca por interações ganha ainda mais força entre os novos nomes, que constroem pontes superando o aspecto puramente sonoro. As apresentações são impulsionadas por identidade, posicionamento e pela bagagem cultural de suas regiões. Além de levarem representatividade à plateia, os eventos servem para que os próprios músicos descubram novos projetos.
Seu Jorge complementa:
“O que me chama a atenção é quando o artista tem uma personalidade, quando você percebe de onde ele vem, as referências dele, mas também o que está fazendo com aquilo. Tem muita gente trazendo a música da sua região, da sua vivência, e misturando com outras sonoridades com muita liberdade, e eu acho isso muito rico. O público também se renova, descobre um artista e, por meio dele, chega a outros trabalhos, outras gerações. Num festival como o Saravá, esses caminhos se encontram. Você vai assistir a um show e pode sair dali encantado com alguém que ainda não conhecia. Eu também gosto de estar nesse lugar de quem está descobrindo, ouvindo e aprendendo”.
Assim, investir em curadoria devolve amplitude às formas de consumir música, estabelecendo conexões entre diferentes eras culturais.
Serviço | Festival Saravá 2026
* Onde: Florianópolis (SC) * Quando: 12 e 13 de dezembro de 2026 * Local: Alcateia Park Campeche
Line-up:
* 12 de dezembro * Palco Saravá: Tom Zé, Seu Jorge, Gaby Amarantos, Luedji Luna, Don L e Exclusive Os Cabides * Palco Fervo: Shaka Music com Gus Caram, DJ Juanita, Cabra Guaraná e Lovesteady * 13 de dezembro * Palco Saravá: Caetano Veloso, Os Mutantes, Johnny Hooker, Rachel Reis, Lamparina e François Muleka convida Ekena * Palco Fervo: DJ Tata Ogan, DJ Brum, Disco Veneno e Verônica Kist
Horários: * 12 de dezembro: 16h às 04h * 13 de dezembro: 15h às 03h
Ingressos: Disponíveis através do site oficial do Festival.
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