A inteligência artificial (IA) carrega perigos em determinados aspectos, mas o risco que ela representa para a humanidade é “próximo de zero”. O posicionamento foi defendido por Clément Delangue, CEO da Hugging Face, plataforma que funciona como um repositório de códigos e modelos de IA e ganhou ainda mais notoriedade ao se tornar o alvo mais famoso de um agente rebelde da OpenAI.
O ponto de vista do executivo diverge das advertências de vários pesquisadores da área, que apontam perigos severos decorrentes da expansão acelerada dessas tecnologias. Para Delangue, contudo, existem “muitos outros tópicos que podem destruir o mundo” além de um sistema automatizado.
O debate ocorreu durante um evento promovido pela Wired. Na ocasião, o diretor-executivo também defendeu a criminalização de invasões realizadas por agentes de inteligência artificial, mesmo naquelas situações em que os softwares operavam em ambientes de teste e acabaram “saíram do controle” de seus criadores.
“Ciberataques são ilegais, e considero fundamental garantir que ciberataques autônomos também sejam ilegais. Não queremos criar um cenário em que não haja responsabilização, em que ninguém responda”, argumenta. Apesar da postura, a própria Hugging Face optou por não processar ou acionar judicialmente a OpenAI após o episódio de exploração de falhas.
Mercado descentralizado e aberto
Agora integrada à Nvidia, a Hugging Face pretende continuar estimulando o mercado aberto de inteligência artificial, buscando ampliar o espaço de modelos transparentes no setor. Na visão de Delangue, essa estratégia é indispensável para impedir que a indústria tecnológica fique centralizada nas mãos de poucas corporações — sobretudo aquelas que desenvolvem soluções avançadas “sob portas fechadas” e em regime de sigilo, a exemplo da criadora do ChatGPT.
“É perfeitamente possível que acabemos em um mundo no qual apenas algumas empresas controlem a maior parte da IA. Existem tendências naturais muito fortes, já que elas acabam monopolizando talentos, poder computacional e capacidades”, alerta o executivo.
O ataque cibernético sofrido pela Hugging Face ilustra bem esse cenário, segundo o dirigente. Para lidar com o problema e mitigar os impactos da invasão, a empresa utilizou um modelo aberto de origem chinesa, o GLM-5.2, com o objetivo de investigar e restringir os danos.
O propósito da companhia é garantir que uma parcela cada vez maior da sociedade tenha acesso a ferramentas customizadas de IA, impulsionando a construção de um “futuro tecnológico mais democrático”.
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