Pai do PlayStation apoia fim dos discos e diz que revolta dos fãs é 'questão de mentalidade'

Criador do PlayStation defende fim dos jogos em mídia física

Tecnologia

Ken Kutaragi, amplamente reconhecido como a mente por trás da criação do PlayStation, manifestou apoio público à decisão da Sony de reduzir e descontinuar o uso de mídias físicas no mercado de games. Na visão do veterano, insistir na fabricação e distribuição de discos deixou de ser algo “economicamente razoável” para os padrões atuais da indústria.

Para o executivo, a insatisfação manifestada pelos jogadores diante do avanço do modelo exclusivamente digital reflete uma barreira de adaptação comportamental.

“Eu entendo que os discos físicos se tornaram uma metáfora para ter a ‘propriedade’ dos jogos. Compreendo profundamente essa mentalidade… Mas ninguém acha que seja necessária para um aparelho conectado à rede, como um smartphone […] Portanto, trata-se de uma mentalidade”, declarou.

Kutaragi argumenta que o perfil do público mudou drasticamente graças à massificação da internet de alta velocidade, tornando o suporte físico obsoleto em comparação ao passado. “Embora tivéssemos conectividade de rede na época do PS2 e do PS3, não era algo tão comum . Agora, muitas e muitas pessoas estão conectadas”, contou.

O futuro além dos consoles dedicados

A visão do pioneiro dos videogames se estende para além do formato dos jogos. Ao avaliar o crescimento acelerado das transmissões via nuvem e o encarecimento contínuo de componentes eletrônicos, Kutaragi projeta um cenário onde “não precisaremos de nenhum console”. O executivo, no entanto, frisou logo em seguida o caráter pessoal de sua previsão: “Este não é um comentário oficial da Sony Computer Entertainment!”.

O ponto de vista compartilhado por Kutaragi não é isolado e ecoa um movimento construído pelos principais estúdios e fabricantes há anos. Desde a sétima geração, os suportes em disco passaram a ser encarados como um obstáculo financeiro pelas empresas, já que facilitam a circulação de títulos usados, o empréstimo entre usuários e o mercado de revenda no varejo. Diante disso, a transição para o consumo puramente digital tem sido incentivada de forma gradual por diversas companhias do setor.

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