O Festival de Parintins, reconhecido como uma das maiores festas regionais do país, teve seu início oficial em 1965. Organizada anualmente no mês de junho na ilha de Parintins, situada às margens do rio Amazonas, a celebração funciona como um verdadeiro ícone da cultura amazônica.
O evento é impulsionado por uma rivalidade centenária, onde dois grupos – os famosos “bois” – encenam o folclore do boi-bumbá. Esta variação do bumba-meu-boi nordestino narra a lenda de Catirina e Negro Francisco, um conto de desejo e ressurreição que define a essência do espetáculo.
A origem dos bois: Caprichoso e Garantido
A rivalidade central do Festival de Parintins se consolidou com a fundação dos bois. O Garantido, que utiliza o vermelho e é popularmente conhecido como “boi do povão”, surgiu em 1913. Em 1925, o boi Galante foi renomeado como Caprichoso, adotando o azul e ganhando a fama de “boi da elite”.
Inicialmente uma disputa informal nas ruas, o confronto entre Boi Caprichoso e Boi Garantido transformou-se em uma superprodução. Em 1988, a construção do Bumbódromo, uma megaarena, elevou o espetáculo a um nível comparável aos desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro. Nas três noites de apresentação, o evento atrai mais de 100 mil espectadores.
O espetáculo do boi bumbá no Bumbódromo
O Bumbódromo, com capacidade para mais de 25 mil pessoas, é o palco principal onde a magia do Festival de Parintins acontece. A torcida de cada boi, dividida igualmente na arena, desempenha um papel crucial, com coreografias e animação que somam pontos para sua equipe. O silêncio é obrigatório quando o boi adversário se apresenta, sob pena de penalidade.
Cada boi leva cerca de 3.500 participantes por noite, distribuídos em “tribos” – como alas de escolas de samba. Destaques incluem a porta-estandarte e a cunhã-poranga, que representa a índia mais bela da tribo.
As gigantescas alegorias, empurradas por centenas de pessoas, chegam a medir até 30 metros de comprimento e passam dos 15 metros de altura, representando personagens do folclore amazônico.
A disputa, avaliada por nove jurados especialistas em folclore, abrange 21 itens, desde o ritmo das baterias, com 400 a 600 músicos, até a beleza das alegorias. Cada boi apresenta de 15 a 22 “toadas”, canções típicas que narram a lenda do boi-bumbá.
As apresentações duram duas horas e meia em cada uma das três noites do festival, fruto de seis meses de ensaios intensos nos chamados “currais”. A paixão pelas cores – vermelho para o Garantido e azul para o Caprichoso – é tamanha que até jurados usam canetas verdes para garantir imparcialidade.
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