Somente nos primeiros seis meses de 2026, quase 15 mil crianças com menos de 10 anos precisaram ser hospitalizadas após sofrerem acidentes com quedas. O cenário reflete uma década preocupante: no período entre 2016 e 2025, o país acumulou 330 mil internações decorrentes do mesmo problema, o que representa uma média anual de 33 mil casos.
As estatísticas foram divulgadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com base nas informações do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a entidade, os episódios de quedas figuram entre as situações que mais exigem atenção de famílias e cuidadores, pois grande parte pode ser evitada por meio da adoção de medidas simples de segurança.
Orientações de segurança por faixa etária
Para mitigar os riscos, a recomendação central é identificar antecipadamente os perigos em cada espaço onde os menores circulam, estudam ou brincam, respeitando sempre as etapas do crescimento infantil. Confira as diretrizes da SBP divididas por idades:
– Até 1 ano: nunca deixar o bebê sozinho em locais altos, como cama, trocador, sofá ou cadeira. Preferir que brinque no chão, em ambiente protegido. Quando estiver aprendendo a sentar, manter supervisão próxima e usar proteção adequada para evitar quedas para trás. Ao carregar o bebê em escadas, apoiar-se no corrimão e evitar pisos molhados ou escorregadios. Não deixar o bebê sob os cuidados de outra criança; – 1 a 4 anos: instalar telas em janelas, sacadas e vãos desprotegidos e manter móveis e objetos longe desses locais. Evitar brincadeiras em superfícies molhadas ou escorregadias, principalmente em banheiros e áreas próximas a piscinas. Ao usar triciclos, patinetes ou skates, escolher equipamentos adequados à idade e ao peso, usar equipamentos de proteção e optar por locais seguros, nunca vias públicas. Redobrar a atenção com beliches e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto; – 5 a 9 anos: supervisionar brincadeiras em locais de maior risco, como árvores, muros, lajes e parques. Bicicletas, patinetes, skates e outros brinquedos de locomoção devem ser usados sempre com equipamentos de proteção, como capacete, joelheiras, cotoveleiras e tornozeleiras. Evitar o uso de celular e outras telas enquanto a criança estiver caminhando, brincando ou em movimento, especialmente em vias públicas, pois a distração aumenta o risco de acidentes.
Perfil dos registros e estados mais afetados
O levantamento detalha que, nos dez anos analisados, o grupo de 5 a 9 anos concentrou a maior quantidade de ocorrências, somando 193,8 mil casos. Conforme a SBP, nessa fase os pequenos ganham mais mobilidade — correndo, frequentando parques e praticando esportes —, embora ainda estejam aprimorando o equilíbrio e a coordenação motora.
A faixa etária de 1 a 4 anos registrou 110,1 mil hospitalizações, enquanto os menores de 1 ano contabilizaram 26,7 mil episódios. Entre os bebês, a entidade chama atenção para as quedas de leitos, que totalizaram 3,7 mil ocorrências.
Em relação à distribuição geográfica, São Paulo lidera o ranking nacional com 71,7 mil notificações no período de 2016 a 2025. Minas Gerais ocupa a segunda posição com 33,4 mil registros, seguida pela Bahia, que contabilizou 27,2 mil episódios.
Outras unidades federativas que também registraram volumes expressivos foram: – Paraná (25,7 mil) – Ceará (20,3 mil) – Santa Catarina (16,9 mil) – Rio Grande do Sul (16,6 mil) – Rio de Janeiro (14,3 mil) – Pará (14,2 mil)
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
