O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente nos Estados Unidos, autoproclamou-se líder de uma campanha contra uma suposta “tirania”, um “regime de exceção” e uma eleição “roubada”. Na carta, ele chegou a se comparar a Charles de Gaulle (1890-1970), general que liderou a resistência contra a ocupação nazista da França entre 1940 e 1944, antes de assumir a presidência do país.
Em um paralelo menos megalomaníaco, porém politicamente mais arriscado, o parlamentar também fez analogias com figuras que lutaram no exílio contra a ditadura chavista, levantando dúvidas sobre uma possível inspiração em intervenções externas. O padrão histórico do clã permanece previsível: sempre que um membro da família Bolsonaro é derrotado nas urnas, uma nova tentativa de insurreição ou convocação de golpe é colocada em pauta. No entanto, a adesão a essa nova investida tem se mostrado escassa.
Reações de aliados e partidos
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), distanciou-se do movimento. Ainda no dia da partida de Flávio para o exterior, Tarcísio declarou que o pleito já havia passado. Posteriormente, evitou romper com a família e com sua base de apoio ideológica, mas optou por não endossar o manifesto.
Em nota enviada à imprensa, Tarcísio pontuou: “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”.
Na mesma linha seguiu o senador Rogério Marinho (PL), chefe da campanha flaviana, durante uma coletiva de imprensa improvisada. Segundo ele, a autoproclamação inicial de Flávio Bolsonaro como “presidente eleito” dos “Estados Unidos do Brazil” e os demais trechos do documento seriam reflexos do impacto da derrota, tratados apenas como “um desabafo”.
Diante das acusações de fraude no processo eleitoral, nem Marinho nem o PL apresentaram sustentação, levando à mudança de foco no discurso. Enquanto isso, legendas como União Brasil, PSD e MDB atestaram a lisura do pleito. A movimentação agora deixa em aberto a postura de importantes forças da coalizão bolsonarista, incluindo o evangelismo político conservador, o setor do agronegócio, alas do empresariado, a cúpula militar e os influenciadores políticos do PL.
O fator internacional e o cenário nos Estados Unidos
O comportamento de figuras políticas dos Estados Unidos também entra no radar. Donald Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro de forma mais amena, mas ressaltou que não pretende se envolver na carta assinada por Flávio Bolsonaro.
Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, foca suas prioridades em outras frentes geopolíticas e na consolidação de sua política externa. Analistas apontam que, embora o discurso de contestação seja utilizado por aliados de Trump para reforçar teses sobre supostas fraudes perpetradas por alas progressistas, os líderes republicanos lidam atualmente com seus próprios reveses eleitorais internos, o que pode isolar ainda mais os Bolsonaros no cenário global.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
