O presidente da Câmara, Hugo Motta, iniciou conversas com líderes partidários para estruturar um projeto de reforma eleitoral que tem o potencial de alterar profundamente a dinâmica da política no Brasil e viabilizar o desejo de lideranças partidárias de conquistarem mandatos sem precisar de votos.
A proposta central gira em torno da implementação do voto distrital, formato inspirado no modelo norte-americano. Nessa configuração, o território nacional seria fracionado em distritos, colocando os concorrentes em uma disputa direta na qual o mais votado garante a vaga.
A definição dos limites territoriais, no entanto, gera debates complexos. Tomando o Rio de Janeiro como exemplo prático, um desenho de distrito que vá do Leblon à Barra da Tijuca excluiria a chance de a comunidade da Rocinha eleger um deputado. Em contrapartida, se o traçado abranger de São Conrado e da Gávea até a Cidade de Deus, a parcela mais próspera da população ficaria sem representação local direta.
Além do modelo distrital puro, a discussão avança para uma formatação mista. Nesse cenário, os partidos lançariam nomes para a disputa individual nos distritos e também apresentariam uma lista de notáveis elegíveis em qualquer região.
O temor principal recai sobre a possível introdução de listas fechadas, controladas diretamente pelas cúpulas partidárias. Sob essa regra, políticos afortunados assegurariam suas cadeiras seguindo estritamente a ordem de preferência estipulada pelos caciques, dispensando completamente a necessidade de sufrágios populares. Essa modalidade específica já tramitou pelo Congresso em duas ocasiões anteriores, sendo rejeitada em ambas.
As tratativas lideradas por Motta encontram-se em estágio inicial. O cronograma prevê que o novo sistema seja implementado em 2030, alcançando plena vigência nas eleições de 2034.
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