Saída negociada de Moraes do STF não vai saciar Congresso, preveem senadores

Saída negociada de Moraes do STF não satisfaz Congresso, dizem senadores

Política

Senadores que vão assumir mandatos em 2027 descartam a hipótese de um acordo para barrar o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em troca de sua saída antecipada da Corte.

Nos bastidores, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador político da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), manteve conversas com magistrados nas últimas semanas para assegurar que não haverá ruptura institucional caso o presidente Lula (PT) sofra uma derrota nas urnas.

Apesar dessas articulações, parlamentares contrários ao afastamento de ministros ponderam que será um desafio barrar a abertura de procedimentos investigativos e processos, com foco principal em Moraes. Aos 57 anos, o magistrado — conhecido por liderar investigações contra o bolsonarismo e pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe — tem direito de permanecer no STF até 2043, quando atingirá a idade limite de 75 anos.

Conforme relatos colhidos no Senado, boa parte dos parlamentares recém-eleitos chegou ao Parlamento carregando como principal bandeira o embate direto contra o Supremo. Por essa razão, lideranças partidárias avaliam que será praticamente inviável costurar um entendimento para que Moraes ou qualquer outro magistrado visado apenas opte por pedir aposentadoria voluntária.

Como a abertura de processos de impeachment depende exclusivamente da decisão da presidência do Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), já lançada como candidata ao posto, sinalizou que não criará embaraços. A disputa pelo comando da Casa inclui ainda o próprio Rogério Marinho e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Divisão no grupo político

O tema do impeachment de magistrados gera divergências estratégicas no núcleo político que apoia Flávio Bolsonaro. Enquanto alas mais moderadas apostam em uma futura acomodação institucional com o STF em caso de vitória do senador, o setor mais radical defende não apenas a destituição de Alexandre de Moraes, mas também a sua prisão.

Procurando moderar o tom público para afastar acusações de autoritarismo, o presidenciável declarou durante ato político em 7 de Setembro, realizado em São Paulo, que indicará cinco novos ministros para o Supremo porque Moraes “vai cair”.

Posteriormente, o discurso foi ajustado para prever que o próximo chefe do Executivo indicará “ao menos” quatro ministros. Esse cálculo engloba as previsões de aposentadoria de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes até o ano de 2030, além da cadeira que permanece desocupada desde outubro do ano anterior, após a saída de Luís Roberto Barroso.

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