Sanepar quer atuar em outros estados e não descarta parceria com a Sabesp, diz CEO

Sanepar mira expansão nacional e não descarta aliança com a Sabesp

Mercados

A Companhia de Saneamento do Paraná tem planos claros de se tornar uma operadora de alcance nacional e avalia oportunidades à medida que elas surgem no mercado. Durante evento realizado em São Paulo nesta quarta-feira (21), o CEO da estatal, Wilson Bley, afirmou que a empresa não descarta uma eventual parceria com a Sabesp para avançar em novos territórios.

“A nossa participação pode ser menor, mas a gente quer entrar e se posicionar no mercado, trazendo novas receitas e levando uma expertise que foi construída. O que não posso fazer é investimento em outros lugares em detrimento do Paraná. Por isso, [a ideia é ter] sempre consórcios”, afirma Bley.

Controlada pelo governo paranaense, que detém 20% das ações, a Sanepar possui acionistas que não ultrapassam 3% de participação individual. Atualmente, a companhia presta serviços em 344 municípios do Paraná e em uma cidade de Santa Catarina. A estratégia de expansão também é sustentada por um memorando de entendimento firmado no ano passado com a espanhola Acciona para a disputa conjunta de licitações públicas.

Essa movimentação integra um plano mais amplo voltado ao incremento de receitas, à diminuição de perdas operacionais e à inclusão de novos usuários na rede.

“Por que nós não fazemos uma parceria com a Sabesp? Nós temos também essa possibilidade. O mercado teve um boom e agora entrou numa fase um pouco mais calma”, completa.

Água de reuso e saneamento industrial

A visita de Bley à capital paulista incluiu a assinatura de um acordo com o grupo espanhol GSInima durante a Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente). A empresa estrangeira foi escolhida mediante chamamento público para atuar em projetos de água de reuso e saneamento industrial. O propósito é comercializar com indústrias a água obtida do esgoto tratado, substituindo o uso de água potável.

Metas de investimento e sustentabilidade

A meta oficial da companhia é alcançar a universalização do saneamento até 2029, antecipando em quatro anos o prazo estipulado pelo marco legal do setor. O foco principal está na rede de esgoto, cuja cobertura atual é de 84%, com expectativa de atingir 90% até o final da década. O planejamento financeiro prevê aportes de R$ 13 bilhões do ano atual até 2030.

“Para cada 1% extra no tratamento do esgoto, é R$ 1 bilhão a mais”, diz o CEO.

Adicionalmente, a empresa estuda oportunidades financeiras no mercado de carbono por meio do aproveitamento das emissões de óxido nitroso provenientes do esgoto. O inventário de 2024 aponta que o tratamento de esgoto é responsável por 93% das emissões da companhia.

“Eu tenho que olhar esse investimento não pela diminuição dos seus custos, mas pelo custo adequado para que eu possa trabalhar essa questão da sustentabilidade”, afirma Bley. O executivo também mencionou os 110 mil quilômetros de infraestrutura subterrânea que a estatal pretende explorar comercialmente com fibra óptica.

Desempenho financeiro

No segundo trimestre de 2026, a receita líquida alcançou R$ 1,9 bilhão, o que representa um crescimento de 11,5% em comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do semestre, o montante chegou a R$ 3,85 bilhões. No entanto, a empresa registrou um prejuízo trimestral de R$ 505,2 milhões, provocado por provisões da ordem de R$ 953 milhões relacionadas a uma decisão regulatória sobre o repasse de precatórios aos consumidores. Desconsiderando esse impacto, o lucro teria sido de R$ 447 milhões.

Segundo Bley, 75% dos recursos gerados em novos negócios são destinados à redução tarifária, enquanto os 25% restantes ficam com a instituição.

O aumento de receitas e a contenção de despesas poderiam facilitar um processo de privatização, caso haja interesse do governador eleito, Sergio Moro (PL). Embora o governo estadual já tenha cogitado essa alternativa anteriormente, o CEO pontua que a gestão atual não enxerga obrigatoriedade nessa medida:

“Nós trabalhamos de forma mercadológica e não ideológica. Se for necessária a privatização para alcançar esses resultados, quem sabe seja esse o caminho. Mas esse não é o nosso caminho.”

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