Restos de um barco submerso no mar Mediterrâneo podem representar a embarcação naufragada mais antiga já documentada na história da arqueologia. Estimativas apontam que o navio, localizado no litoral da Turquia, tenha entre 4.400 e 4.700 anos, remontando ao início da Idade do Bronze — época em que as Grandes Pirâmides do Egito eram erguidas e a civilização Hátia dava seus primeiros passos.
Carga intacta preservada no leito marinho
Diferente de muitos sítios arqueológicos subaquáticos danificados pelo tempo, a pequena embarcação preservou grande parte de seu conteúdo original. No interior do casco, pesquisadores identificaram cerca de 18 ânforas de fundo plano em ótimo estado de conservação. Esse tipo de recipiente era amplamente empregado na Antiguidade para transportar mercadorias líquidas, como vinho e azeite de oliva.
Alguns dos recipientes cerâmicos exibem símbolos finamente gravados na superfície, cujos significados ainda estão sendo investigados por especialistas. Ao redor da estrutura de madeira, a equipe também localizou três âncoras de pedra utilizadas pela tripulação.
Condições perigosas causaram o acidente
A descoberta inicial ocorreu por meio de rastreamento com sonar conduzido por pesquisadores da Universidade de Akdeniz. Análises sobre a dinâmica da navegação sugerem que a embarcação viajava em direção ao oeste quando sucumbiu. Na região onde os vestígios repousam, o mar apresenta correntes intensas que, combinadas à força dos ventos locais, criavam condições de navegação extremamente perigosas para os marinheiros daquele período.
Enquanto a maioria dos destroços catalogados nessa área costeira data das eras romana ou bizantina — com cerca de 1.500 a 2.000 anos de idade —, o novo achado supera essas marcas em milênios, ultrapassando os recordes anteriores de idade da arqueologia marítima por vários séculos.
Marco para a história do comércio marítimo
Imagens do sítio subaquático foram divulgadas publicamente pelo ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy. O titular da pasta destacou que o achado traz revelações fundamentais sobre as raízes do comércio naval ao longo da costa da Anatólia e reforçou o compromisso do país em seguir explorando novas descobertas históricas para garantir a proteção desse patrimônio cultural para as próximas gerações.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
