Taxas dos DIs sobem após pesquisa eleitoral e aprovação do fim da escala 6×1

Juros futuros sobem com empate eleitoral e avanço da escala 6×1

Economia

O mercado de juros futuros no Brasil registrou pressão positiva pelo terceiro pregão consecutivo na manhã desta quinta-feira. O avanço das taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) reflete a reação dos investidores à consolidação de uma disputa presidencial indefinida e aos desdobramentos de medidas votadas no Congresso Nacional, descolando o mercado local do alívio observado nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Equilíbrio na corrida eleitoral pressiona mercado

O principal direcionador das mesas de operação foi a divulgação de um novo levantamento do instituto Quaest, publicado na noite de quarta-feira. O estudo indicou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto no segundo turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma 44%. Diante da margem de erro de dois pontos percentuais, o quadro é de empate técnico. Os votos brancos, nulos ou abstenções alcançam 9%, ao passo que 1% permanece indeciso. No quesito rejeição, Flávio tem 54% e Lula, 53%.

Essa proximidade entre as candidaturas, que já havia sido apontada anteriormente pela sondagem BTG/Nexus, volta a pressionar as projeções de juros e as cotações do dólar. No meio financeiro, prevalece a percepção de que uma eventual vitória de Flávio facilitaria medidas de consolidação orçamentária — mesmo sem detalhamento prévio de planos fiscais. Dessa forma, leituras eleitorais que mostram resiliência governista tendem a elevar o prêmio de risco exigido pelos agentes.

Por volta das 10h10, o contrato de DI para janeiro de 2028 avançava 11 pontos-base, negociado a 12,815%, contra o ajuste anterior de 12,704%. Nos vencimentos mais longos, a taxa para janeiro de 2035 atingia 12,75%, alta de 14 pontos-base em relação ao fechamento de 12,613%.

Votação da PEC do trabalho e agenda econômica

Outro catalisador do pessimismo fiscal foi a aprovação no plenário do Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala de trabalho 6×1 e reduz o limite semanal de horas trabalhadas, pauta defendida pelo Palácio do Planalto. Apesar de ter sugerido anteriormente compensações financeiras às empresas sem especificar custos para a União, Flávio Bolsonaro alterou seu posicionamento e votou a favor do texto.

A tensão política acabou ofuscando a divulgação das vendas no comércio varejista pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor avançou 0,1% em agosto frente a julho e 0,4% sobre agosto do ano passado — resultados inferiores às estimativas do consenso econômico, que aguardavam altas de 0,7% e 1,45%, respectivamente.

“Em conjunto, os dados de agosto tornam cada vez mais evidentes o enfraquecimento gradual da atividade econômica. Serviços e indústria apontam na mesma direção: o volume de serviços recuou 0,1% e a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho deste ano”, destacou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Descolamento frente ao cenário externo

A trajetória de alta dos DIs brasileiros ocorre na contramão de Wall Street. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuavam 13 pontos-base às 10h10, para 5,064%, influenciados pela divulgação de novos indicadores macroeconômicos.

O volume de pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA somou 199 mil, próximo à expectativa de 200 mil. Já as vendas do varejo norte-americano subiram 0,8%, superando o avanço projetado de 0,3%, enquanto a inflação medida pelos preços ao produtor teve acréscimo de 1,3% em setembro, gerando reprecificação no mercado internacional que não foi suficiente para aliviar as taxas locais.

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