As manifestações populares contra a crise financeira do Ueno Bank escalaram para confrontos violentos e resultaram em sete prisões e um policial ferido na capital do Paraguai. O ato, que ocorreu nesta sexta-feira, marcou o terceiro dia consecutivo de revolta popular na região central de Assunção após o fechamento da instituição financeira.
A intervenção e posterior liquidação do banco foram decretadas pelo Banco Central do Paraguai na madrugada de quarta-feira (4), deixando milhares de correntistas impossibilitados de reaverem suas economias. A medida drástica foi tomada após o índice de solvência da instituição — parâmetro que avalia a robustez do banco frente a eventuais perdas — despencar para 5,56%, situando-se bem abaixo do patamar mínimo regulamentar exigido no país, que é de 12%.
Conflitos e depredação em Assunção
Conforme veículos de imprensa locais, a situação saiu do controle durante a noite, quando o protesto pacífico deu lugar a atos de vandalismo. Manifestantes apedrejaram a fachada de uma agência do Ueno Bank, além de arremessarem lixo e artefatos explosivos, como bombas de efeito moral.
As forças de segurança reagiram com o uso de jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Durante o tumulto, um policial sofreu ferimentos e precisou ser socorrido e encaminhado a um hospital da capital paraguaia. Sete pessoas foram detidas em flagrante por depredação e participação nos distúrbios.
Crise política e renúncia presidencial
Além de cobrarem a liberação de seus recursos financeiros, os manifestantes exibiram faixas com duras críticas ao presidente do Paraguai, Santiago Peña. O chefe do Executivo nacional, que foi investidor da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025, anunciou sua renúncia ao cargo na quinta-feira (5).
A instabilidade institucional também atingiu o comando do sistema financeiro nacional. No mesmo dia em que a intervenção foi anunciada, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, entregou seu cargo. Carvallo havia assumido a autarquia em 2023, após deixar a presidência do próprio Ueno Bank, tendo sido nomeado por Peña.
No âmbito das investigações, oito pessoas associadas à instituição foram detidas, abrangendo o presidente, dois vice-presidentes e o fundador da empresa. Os atos na capital dão continuidade à onda de indignação iniciada na terça-feira (3), quando correntistas tomaram as ruas em busca de respostas e da recuperação de seu patrimônio.
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