A Tesla está a investir cada vez mais na inteligência artificial, na condução autónoma e nos robôs humanóides Optimus, mas essa aposta no futuro está a afetar as contas do construtor norte-americano.
No terceiro trimestre de 2026, entre julho e setembro, a empresa registou receitas de 28,046 mil milhões de dólares (aprox. 25 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), praticamente o mesmo valor dos 28,095 mil milhões de dólares alcançados no período homólogo de 2025.
O lucro operacional, porém, caiu 56%, de 1624 milhões de dólares (aprox. 1,4 mil milhões de euros) para 718 milhões de dólares (aprox. 641 milhões de euros). A margem operacional recuou 5,8% para 2,6%. O lucro líquido, que inclui outros ganhos e perdas não operacionais, também caiu 43% para 787 milhões de dólares (aprox. 702 milhões de euros).
Despesas cresceram, mas margens brutas também aumentaram
Curiosamente, a Tesla até conseguiu melhorar a rentabilidade bruta das suas atividades. O lucro bruto cresceu 9%, para 5494 milhões de dólares, e a margem bruta subiu de 18% para 19,6%.
O problema está sobretudo no aumento das despesas operacionais, que dispararam 39%, atingindo 4776 milhões de dólares (aprox. 4,2 mil milhões de euros). Só os gastos em investigação e desenvolvimento cresceram 69%, passando de 1630 milhões para 2761 milhões de dólares (aprox. 2,4 mil milhões de euros).
A Tesla atribui este aumento aos projetos de inteligência artificial e outras áreas de desenvolvimento, mas também a maiores despesas administrativas e compensações baseadas em ações, incluindo o plano de remuneração de Elon Musk aprovado em 2025.
O investimento em infraestruturas e equipamentos também mais do que duplicou face ao período homólogo, para 4732 milhões de dólares. O resultado foi uma redução de 62% no fluxo de caixa livre, para 1531 milhões de dólares.
Automóveis continuam a ser o negócio principal
Apesar da aposta em novas áreas, a venda de automóveis continua a representar a maior fatia das receitas da Tesla. No terceiro trimestre, o negócio automóvel gerou 20,56 mil milhões de dólares (aprox. 18,3 mil milhões de euros), embora tenha recuado 3% face a 2025.
As entregas também diminuiram, embora de forma mais ligeira: entre julho e setembro foram matriculados 486 532 automóveis, uma descida de 2%.
A evolução não foi igual em todos os modelos. O Model 3 e o Model Y somaram 478 237 entregas, apenas menos 1% do que no período homólogo. Já os restantes modelos registaram uma quebra de 48%, para 8295 unidades.
O que esperar até ao final do ano?
Nos últimos três meses de 2026, a Tesla pretende continuar a aumentar a utilização das suas fábricas, embora reconheça que a disponibilidade de baterias ainda condiciona o crescimento da produção.
O construtor espera também atingir 400 MW de capacidade de computação, dedicada ao treino dos seus sistemas de Inteligência Artificial até ao final de 2026. Em 2027, prevê começar a instalar equipamentos na fábrica de semicondutores de Austin, no Texas.
A produção do Tesla Semi e do robô Optimus já arrancou e deverá ganhar escala. Enquanto isso, o Cybercab começou a integrar a frota de táxis-robô da empresa em Austin. A longo prazo, a marca espera que as receitas da inteligência artificial, do software e dos serviços de mobilidade complementem os lucros da venda de automóveis.
Por enquanto, a empresa continuar sem apresentar metas financeiras concretas para o último trimestre de 2026 ou para 2027.
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