Equipes contratadas pelo Kremlin devem iniciar o desmonte da histórica Torre de Rádio Shukhov, localizada em Moscou, um marco da arquitetura do século XX conhecido popularmente como a Torre Eiffel da Rússia. Os proprietários da estrutura alegam que a torre de aço vazado está severamente corroída pelo tempo, ultrapassando qualquer possibilidade de reparo, e que alternativas à demolição seriam financeiramente inviáveis.
Erguida entre 1920 e 1922, a construção de 148 metros de altura foi encomendada por Vladimir Lenin com o propósito original de difundir a mensagem do comunismo por todo o território soviético por meio da tecnologia do rádio. Contudo, o monumento sempre representou muito mais do que um simples transmissor. Sendo uma das primeiras grandes obras após a Revolução Russa, a estrutura hiperbólica foi projetada para transmitir beleza, otimismo e as ambições globais do jovem Estado soviético.
O avanço dos planos de demolição, no entanto, mobilizou uma campanha de preservação. Em uma rara demonstração de contestação pública na Rússia em tempos de guerra, arquitetos, engenheiros e especialistas em patrimônio assinaram uma petição aberta pedindo que o governo reconsidere a decisão. O grupo também organizou um festival dedicado à torre e a outras obras de Vladimir Shukhov, criador do monumento, além de promover passeios guiados gratuitos para destacar o valor histórico de seu legado.
Airat Bagautdinov, historiador da arquitetura e um dos líderes da campanha de preservação, afirmou que a decisão do Estado foi motivada principalmente por questões de custo.
Décadas de abandono e manutenção insuficiente deixaram marcas profundas na estrutura metálica, cuja última pintura ocorreu em 1964. A torre foi praticamente desativada no final de 2001 e, em 2014, já havia enfrentado planos de demolição. Naquela época, fortes protestos e a repercussão na imprensa garantiram uma sobrevida ao monumento.
Agora, o Ministério da Cultura da Rússia abriu caminho para o desmonte total ao reduzir o nível de proteção patrimonial da estrutura. Mesmo assim, com suas formas que lembram um telescópio gigante ou uma árvore de Natal, a obra segue como um dos símbolos mais marcantes da arquitetura russa do século XX.
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