Votação na ONU para novo secretário-geral tem impasse com vetos generalizados

Eleição para chefe da ONU trava com veto a todos os candidatos

Mundo

A disputa para escolher a próxima liderança da Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a um impasse nesta sexta-feira (16). Na mais relevante rodada preliminar de votação realizada até aqui, todos os nomes que concorrem ao posto máximo da entidade receberam ao menos dois vetos diretos de nações que compõem o grupo permanente do Conselho de Segurança.

O processo de definição ocorre por meio de votações secretas informais, chamadas de “straw polls”. Nessas consultas, os 15 membros que integram o Conselho — cinco fixos e dez rotativos — indicam formalmente se encorajam, se desencorajam ou se não têm opinião sobre cada um dos nomes apresentados.

Esta etapa marcou a estreia de cédulas em cores diferenciadas: os membros permanentes utilizaram cédulas vermelhas, enquanto os demais votaram em papéis brancos. A distinção tem peso decisivo, uma vez que nenhum postulante pode ser conduzido ao cargo se for vetado por qualquer integrante do P5 — grupo formado por Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.

Para obter a indicação ao comando da ONU, a candidatura precisa reunir no mínimo nove manifestações favoráveis entre os 15 integrantes do Conselho, sem sofrer nenhuma rejeição entre as cinco potências fixas. Uma vez superada essa fase, o candidato é submetido à Assembleia Geral, que reúne 193 nações e costuma validar a indicação. O atual líder, o português António Guterres, conclui seu segundo mandato no término deste ano, demandando uma sucessão planejada com antecedência.

Favoritismo sob pressão geopolítica

A postulante com melhor desempenho na disputa segue sendo a economista costa-riquenha Rebeca Grynspan, de 70 anos, secretária-geral da agência de Comércio e Desenvolvimento da ONU. Caso vença, será a primeira mulher, a primeira pessoa de origem judaica e a primeira personalidade centro-americana a gerir o organismo multilateral.

Na apuração de sexta-feira, Grynspan obteve nove posições de apoio e cinco desfavoráveis. Dos apoios, três vieram do P5; no entanto, duas das avaliações negativas também partiram de membros fixos, configurando vetos.

Filha de imigrantes europeus que escaparam do Holocausto e se refugiaram na Costa Rica, Grynspan tem histórico familiar ligado a Israel, onde vive sua irmã e onde sobrinhos atuaram no serviço militar. Apesar disso, publicações sob sua gestão na agência da ONU criticaram duramente os impactos socioeconômicos da ocupação israelense na Faixa de Gaza e na Cisjordânia — inclusive em documento lançado em setembro passado —, o que fomentou notícias na imprensa norte-americana sobre a resistência dos EUA à sua candidatura.

Em sinalizações recentes, Grynspan expressou alinhamento às iniciativas de contenção orçamentária promovidas por Guterres, atendendo a demandas históricas de Washington. Em entrevista, ela ponderou que a ONU deve reduzir postos funcionais, combater burocracias e cortar sobreposições de tarefas, ressaltando, contudo, que enxugar gastos não basta para resgatar a autoridade política da entidade no cenário internacional.

Outros cotados e saídas regimentais

Logo após Grynspan no ranking de votação aparecem a embaixadora da Guiana na ONU, Carolyn Rodrigues Birkett, e o diplomata argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Birkett somou oito apoios (três do P5) e seis desencorajamentos (dois do P5). Já Grossi registrou oito votos favoráveis (dois do P5) e seis contrários (dois do P5), enfrentando resistência pública por parte do governo russo.

Diante do travamento geral, novas alternativas podem surgir. Como não há limite temporal formal para apresentar candidaturas, articulações de bastidores podem lançar um novo nome que conte com o aval antecipado das potências, ou algum competidor atual pode costurar a retirada de suas rejeições.

O cenário tem precedentes históricos: em 1996, o diplomata ganense Kofi Annan foi aprovado pelo Conselho de Segurança apenas em 13 de dezembro — a duas semanas da posse —, após a França recuar e revogar o veto que mantinha contra ele.

Atualmente, o grupo dos dez membros rotativos do Conselho de Segurança é integrado por: Bahrein, Colômbia, Dinamarca, Grécia, Letônia, Lib

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