A busca por um novo amor e pela estabilidade financeira terminou em desilusão para um morador do Maranhão de 49 anos. Atraído por vídeos publicados nas redes sociais, ele percorreu uma distância superior a dois mil quilômetros até Belo Horizonte na esperança de conhecer “Jéssica na Fazenda”, uma persona que, na verdade, é fruto de inteligência artificial (IA).
Nos conteúdos divulgados nas plataformas digitais, a figura feminina de cabelos loiros fingia conversar diretamente com os usuários, assegurando que bancaria um companheiro e transformaria sua situação de vida. As publicações incentivavam a interação do público, pedindo curtidas e solicitando dados bancários e a quantia financeira necessária. Além disso, o perfil pedia o envio de endereços particulares com o pretexto de buscar o pretendente.
A personagem afirmava abertamente: “Amor, eu vou tirar você da pobreza se vier morar comigo. E, para provar isso, curta o vídeo e me mande seu Pix. Comente o valor que você precisa e curta para eu mandar o valor que você precisa. Me mande seu endereço na mensagem e, assim, posso buscar você amanhã mesmo. Porque eu sou mulher suficiente para te bancar. Eu sou assim”.
Promessas de vida no campo
Para reforçar a ilusão, outros vídeos prometiam uma “vida de rei” a quem aceitasse se mudar para o campo. As postagens combinavam imagens de propriedades rurais, cabeças de gado e caminhonetes, simulando um cotidiano abastado no interior para convencer quem buscasse um relacionamento sério.
A decepção na capital mineira
Confiando nas promessas virtuais, Edimar Rocha deixou a cidade de Imperatriz (MA) rumo a Minas Gerais. “Ela falava que morava no interior de Minas Gerais e que estava interessada em mim, então eu vim atrás dela”, relatou.
O homem chegou a Belo Horizonte na última sexta-feira (10) e passou a percorrer diversos pontos da cidade em busca da suposta companheira, questionando moradores sobre seu paradeiro. Motivado pelo isolamento emocional, ele lamentou a situação: “Não tem coisa pior do que uma solidão e eu vim atrás dela pra ver se encontrava a felicidade”.
No início da semana, na segunda-feira (12), as reservas financeiras de Edimar acabaram completamente. Desamparado na capital mineira, ele precisou pedir auxílio à Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Após perceber a farsa tecnológica da qual foi vítima, Edimar deixou um conselho para que outras pessoas não passem pela mesma experiência: “Não venham. Você vai confiando nas propostas que as pessoas fazem, mas não vá, pra nenhum lugar. Qualquer um pode cair nessa conversa, então prestem atenção, às vezes uma palavra machuca muito mais do que uma pancada”.
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