Cerca de oito em cada dez estudantes brasileiros (81%) ouvidos para o relatório HP Futures 2026 se preocupam com a possibilidade de não aprender os conteúdos com a mesma profundidade, embora a inteligência artificial os ajude a realizar tarefas mais rapidamente. O levantamento global reuniu mais de 6 mil participantes, entre eles 480 brasileiros.
O relatório discute como a educação pode preparar os jovens para aprender e trabalhar em um mundo com inteligência artificial. Liderado pela empresa de tecnologia HP, pelo Global Learning Council e pelo Education Leaders Forum, também reuniu 58 especialistas em educação, políticas públicas e futuro do trabalho e apresenta dez estudos de caso.
Otimismo e confiança no mercado de trabalho
Apesar da preocupação com uma possível perda de capacidades cognitivas, os participantes brasileiros demonstram otimismo em relação ao futuro em um mundo marcado pela IA. Mais da metade (54%) acredita que a tecnologia criará mais oportunidades profissionais do que eliminará, enquanto 31% discordam dessa avaliação.
Além disso, 69% se sentem confiantes de que conseguirão usar ferramentas de IA de maneira eficaz e responsável em suas futuras carreiras, e 73% acreditam que a educação que recebem os prepara para o trabalho.
“Os sistemas educacionais precisam fazer mais para ajudar os estudantes a desenvolver, demonstrar e aprimorar continuamente capacidades que permanecerão relevantes, independentemente de como a tecnologia evolua”, afirma David McQuarrie, diretor comercial da HP e presidente do HP Futures.
Criatividade, comunicação e colaboração ganham destaque
A pesquisa também identificou quais competências os estudantes brasileiros consideram mais importantes para o futuro mercado de trabalho. A criatividade aparece em primeiro lugar, citada por 59%, seguida de comunicação e colaboração, com 48%.
A liderança ocupa a terceira posição, com 33%. Pensamento crítico e letramento em IA e tecnologias digitais foram citados por 31% cada. Segundo o relatório, os participantes deram mais importância a competências humanas que permanecem relevantes ao longo do tempo do que a competências técnicas.
O documento recomenda que os responsáveis pelas políticas públicas no Brasil e em outros países estabeleçam planos claros para ajudar os estudantes a desenvolver essas competências, consideradas essenciais para o trabalho no futuro. A orientação é que elas integrem o currículo, sem serem tratadas como secundárias ou restritas a atividades extracurriculares.
O relatório também defende que a leitura, a escrita, os conhecimentos matemáticos e as aprendizagens que contribuem para a formação da identidade permaneçam no centro da educação. A proposta é adotar abordagens criativas e práticas que desenvolvam, ao mesmo tempo, os conhecimentos fundamentais e as competências necessárias ao longo da vida.
“É fundamental que a voz dos estudantes tenha destaque nas discussões sobre o futuro dos currículos e dos modelos de avaliação”, diz Mayank Dhingra, diretor e responsável global pela área de negócios e estratégia em educação da HP.
Além de novas abordagens de avaliação, o documento recomenda ampliar o apoio aos educadores, que continuam a ter papel central no desenvolvimento da criatividade, do pensamento crítico, da comunicação e da colaboração, competências cada vez mais valorizadas pelos empregadores.
Experiências práticas e globais
Além da pesquisa com estudantes, o HP Futures 2026 apresenta dez estudos de caso sobre o desenvolvimento de competências para um mundo transformado pela inteligência artificial. A seção reúne experiências de escolas, universidades, organizações e empregadores.
O conceito que conecta os casos é o de competências duradouras: capacidades humanas que permanecem relevantes diante das mudanças tecnológicas, como pensamento crítico, criatividade, colaboração, comunicação, adaptabilidade e julgamento ético. A fluência em IA aparece como uma capacidade complementar a essas bases.
Realizada online entre maio e junho de 2026, a pesquisa reuniu respostas de 6.206 estudantes de 37 países. O questionário estava disponível em seis idiomas: inglês, espanhol, português, indonésio, italiano e árabe. Participaram estudantes de diferentes idades, desde menores de 12 anos até maiores de 25. A maioria dos que informaram a idade (88%) tinha entre 12 e 17 anos.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
