Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, preferia cassinos online e apostou R$ 1,3 bilhão em 2026

Amigo de Flávio Bolsonaro apostou R$ 1,3 bi em cassinos online em 2026

Mercados

O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL) e alvo de investigações por suposta lavagem de dinheiro com bets ao lado do senador e candidato à presidência, concentrou suas atividades nas plataformas de apostas em jogos online, como cassinos e o “jogo do tigrinho”. Conforme informações obtidas, desde a regulamentação do mercado em 2025, ele movimentou um total de R$ 6,3 bilhões, sendo que 99,98% dessa quantia ocorreu justamente nessa categoria.

Uma nota técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda apontou que Tomaz foi o maior apostador do país em 2025, registrando cerca de R$ 5 bilhões em transações. O documento destacou que o advogado liderou o ranking nacional com uma vantagem superior a 60% em relação ao segundo colocado. Em 2026, os registros indicam que a jogatina continuou com o aporte de aproximadamente mais R$ 1,3 bilhão.

Dessa forma, o montante acumulado nos dois anos atingiu R$ 6.333.648.577,66 desde a regulamentação das bets no Brasil. Vale ressaltar que essa cifra é majoritariamente impulsionada por recursos que giram dentro das próprias plataformas, isto é, valores de premiações que acabam sendo reapostados sucessivas vezes.

Defesa e investigação da Polícia Federal

Procurado pela reportagem, Tomaz declarou que o capital possui origem lícita, é compatível com os seus ganhos, foi devidamente informado à Receita Federal e diz respeito estritamente à sua vida privada.

“Nos jogos online, um mesmo valor pode ser apostado sucessivas vezes e é contabilizado a cada rodada, o que explica montantes elevados em curto período sem que representem novos aportes”, afirmou.

Enquanto a defesa aponta que o total depositado foi de R$ 326 milhões e o retirado chegou a R$ 234 milhões, a Polícia Federal investiga a hipótese de o advogado ter utilizado as plataformas de apostas para ocultar a procedência de capitais ilícitos.

Relação com Flávio Bolsonaro e outras frentes

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados pela PF por suposta lavagem de investigação financeira e evasão de divisas através de sites de apostas e meios de pagamento. Além disso, Tomaz também figura como alvo de apurações ligadas a eventuais fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Questionada, a campanha de Flávio sustentou que o parlamentar não é investigado no Supremo Tribunal Federal e que os autos encaminhados à Corte ainda não viraram inquérito, visto que faltam manifestações da Procuradoria-Geral da República ou deliberações judiciais sobre o tema. Uma holding de apostas online pertencente a Tomaz custeou voos entre Portugal e França para o senador em 2025. Na ocasião, o candidato pontuou que o vínculo com Willer é estritamente de amizade.

“Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, afirmou.

Por sua vez, publicações jornalísticas apontam que o político e o jurista seriam sócios indiretos na empresa Best Bet por intermédio de companhias estrangeiras e contas bancárias cruzadas.

Plataformas utilizadas e falhas apontadas

A principal casa de apostas empregada por Tomaz foi a Blaze, destino de mais de 99,2% de todo o capital aplicado por ele. O advogado também realizou aportes menores na Sportingbet, somando R$ 5.000, e na 7K, com R$ 4,8 milhões — montantes integralmente direcionados a jogos virtuais, englobando cassino, tigrinho e outras variações. Paralelamente, uma operação da PF apura se as licenças da Bet 7k foram adquiridas com verbas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

As apostas esportivas tradicionais representaram uma parcela mínima de suas movimentações, totalizando R$ 819,7 mil na Blaze, dentro do universo de R$ 6,3 bilhões. Questionadas, a Ana Gaming (responsável pela 7K) declarou que “não se manifesta sobre clientes nem sobre as operações deles”, mas que “sempre atuou de acordo com a legislação, com política clara sobre jogo responsável e a regulamentação do setor de apostas”. A Blaze não retornou os contatos e a Sportingbet optou por não se posicionar.

O Ministério da Fazenda instaurou um processo administrativo contra a Blaze para apurar violações apontadas por Tomaz, que ajuizou uma ação pedindo ressarcimento por perdas financeiras em rodadas de blackjack e roleta online, o que pode render multas de até R$ 2 bilhões à empresa. Outro relatório da pasta criticou os mecanismos de segurança da Foggo, acusando a empresa de omitir dados aos órgãos fiscalizadores, enviar informações codificadas e em inglês, ignorar alertas do Coaf e falhar na classificação de risco de clientes, uma vez que Tomaz era tratado como risco médio apesar do volume expressivo de suas operações. A Blaze também foi citada por negligenciar a análise de integridade de grandes movimentadores financeiros em sua plataforma.

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